MPLA acusado de agredir dirigentes do PRS no Huambo

António Solia, secretário do PRS nesta província, aponta o dedo acusador a militantes do MPLA da comuna do Lépi e acusa a Polícia Nacional de não ter feito nada em seu favor

POR: Norberto Sateco, no Huambo

O secretário provincial do Partido de Renovação Social (PRS) no Huambo, António Solia, acusou esta semana um grupo supostamente de militantes do MPLA de ter agredido uma delegação do seu partido na comuna do Lépi, município do Longonjo. Em declarações a OPAÍS, o responsável informou que a delegação do seu partido foi agredida perante o “olhar impávido e sereno de efectivos da Polícia Nacional” , quando tentava inaugurar um Comité de Acção nesta localidade. Disse que durante a agressão, atribuída a supostos partidários do MPLA, foi vandalizada a sua viatura de marca Mitsubishi L2000, com a qual fazia o transporte da delegação agredida, mas sem, entretanto, haver danos físicos entre os ocupantes.

“A Polícia não interveio a nosso favor, não agiu, ficou calada, e isso alimentou a ideia de que estava a cumprir ordens da senhora administradora”, desabafou a fonte, para quem só não aconteceu o pior porque os seus militantes resistiram à agressão. Solia disse ser incompreensível a apatia da Polícia Nacional durante a agressão e, face à situação, prometeu levar o caso à Procuradoria Geral da República, enquanto órgão garante da legalidade. Alega que a administradora comunal do Lépi, Florinda Jamba, terá orientado os seus militantes e quadros a não permitirem a presença de um outro partido a hastear uma bandeira diferente da do seu partido na sua área de jurisdição. “Esta comuna não pode ter outra bandeira, senão a do MPLA”, disse António Solia.

“Esta informação é a que nos foi fornecida pelos nossos quadros lá na comuna, e é difícil acreditar que uma situação como essa ocorra ainda, 16 anos após o alcance da paz”, deplorou o político. António Solia lamentou o facto, explicando que dias antes o seu partido havia comunicado ao gabinete dos Partidos Políticos do Governo da Província do Huambo e ao Comando Provincial da Polícia Nacional que iria instalar uma representação do seu partido naquela localidade. Contra todas as expectativas, segundo a fonte, as duas entidades não se pronunciaram, com realce para a Polícia Nacional, para garantir a segurança da delegação e dos militantes locais, já que é uma região fértil em intolerância política a nível da província. Disse que após esta ocorrência, o Secretariado Provincial do PRS informou o sucedido às autoridades competentes da província, que garantiram constituir uma comissão de inquérito, mas até à altura em que prestava esta informação(Sexta-feira,11) nada tinha transpirado.

Velhos tempos

António Solia revelou a este jornal que o clima de intolerância política na província continua a ser o grande “obstáculo” para os partidos políticos desenvolverem as suas actividades. Apesar de estar em baixa visibilidade, a intolerância política, segundo ele, continua a verificar-se, à semelhança do que ocorre em períodos de campanhas eleitorais a nível da província.

Perseguição

Apontou que, desde que o seu partido começou a receber membros de outros partidos políticos, tais como a CASACE, UNITA e do próprio MPLA, os seus dirigentes a nível da província estão a sofrer perseguições. No princípio deste ano, esta força política, liderada por Benedito Daniel, recebeu mais de 50 militantes da CASA-CE, no quadro do processo de mobilização e recrutamento de novos membros.