Ministério do Interior disponível para abordar exumação dos restos mortais de Jonas Savimbi

O Ministério do Interior garantiu estar à disposição para dar tratamento ao processo que poderá culminar com a exumação dos restos mortais de Jonas Savimbi, à luz das conversações que vinham sendo mantidas com o Executivo.

Segundo uma nota do ministério, no dia 11 de Dezembro de 2014, o Presidente da UNITA, Isaías Samakuva, escreveu ao então Presidente da República, Engenheiro José Eduardo dos Santos, informando que despoletara um processo de exumação e inumação dos restos mortais do Dr. Jonas Savimbi, e solicitava a indicação de um interlocutor do Governo para abordagem do assunto. Tendo sido indicado para o efeito, o Ministério do Interior remeteu uma nota à Direcção da UNITA (00671/GAB.DIR.MININT/ 15), solicitando a designação de uma entidade com a qual pudesse tratar o referido assunto.

A Direcção da UNITA por sua vez, indicou o seu vice-presidente, na altura, Engº Ernesto Joaquim Mulato, na qualidade de coordenador da Comissão daquele partido encarregue de preparar as exéquias do seu ex-presidente. O mesmo documento indica que em Maio de 2015, o ministro do Interior reuniu-se com o então vice-presidente da UNITA, Ernesto Joaquim Mulato, acompanhado pelos integrantes da comissão, incluindo o filho do líder fundador da maior força política da Oposição, Rafael Savimbi.

No encontro, a delegação da UNITA apresentou um “Caderno de Encargos sobre as Exéquias do Dr Jonas Savimbi” que previa actividades até ao III trimestre do ano de 2016, e manifestou igualmente que fossem realizadas diligências no sentido de ser localizado o sítio onde foi enterrado o General Dembo, bem como comprometeu-se a apresentar o cidadão que dizia conhecer o local, “O que não aconteceu, não obstante terem ocorrido outros encontros quer com o presidente Samakuva, com o vice-presidente Raúl Danda, com o presidente da Bancada Parlamentar da UNITA Adalberto da Costa Júnior, entre outros, para abordagem de questões pontuais”, lê-se ainda no documento.

Por outro lado, o Ministério do Interior considera que a direcção da UNITA terá certamente motivos bastantes para questionar a Comissão por si criada e os órgãos internos do partido encarregues do assunto, sobre as razões que estiveram na base do não envio desses documentos ao Ministério do Interior e a não abordagem do assunto no âmbito do mecanismo criado, até à presente data, que provavelmente tenha como origem o facto de, o ex-vice-presidente não ter transferido ao actual a responsabilidade de dar continuidade a esta tarefa. “Contudo, o Ministério do Interior continua disponível ao tratamento do assunto nos termos da orientação política do Executivo e dos resultados do encontro mantido com a Comissão da UNITA ora referida, tal como ficou expresso na carta enviada hoje ao presidente da UNITA”, refere a nota.