Benguela com 34 inspectores para 1.276 escolas

O número de inspectores que trabalham no Gabinete Provincial da Educação em Benguela tem um défice de 60% relativamente ao que seria considerado o ideal para controlar e fiscalizar devidamente as 1.276 escolas operantes

POR: Zuleide de Carvalho

A província de Benguela conta apenas 34 inspectores a trabalhar na educação, muito abaixo do rácio desejado que deveria ser um fiscal para cada 15 escolas, todavia, opera um fiscal para 37,5 escolas, revelou ao jornal OPAÍS Evaristo Mário, director da Educação. Este rácio diminuto tem diversas implicações para a qualidade do ensino. No que ao rigor, padrões e qualidade diz respeito, a exiguidade de quadros inspectivos será, certamente, um dos factores que permitem que a educação nesta parcela do território nacional continue a pecar, admitiu o director.

“Em certa medida, há uma influência neste particular porque, infelizmente, temos ainda notado profissionais que, lamentavelmente, (só) trabalham sob pressão, fiscalização”. Deste modo, são várias as negligências que professores cometem na ausência do inspector. Por conseguinte, “temos que inverter o quadro”, apelou. Pois, “as pessoas têm de estar imbuídas do espírito de responsabilidade perante o trabalho”, ou seja, fazendo-o com zelo, independentemente de quem está a ver ou ouvir. Relativamente ao que fiscalizar, realçou que um dos aspectos preocupantes prende-se com o desrespeito às horas exigidas a cada professor, logo, “é preciso que se garanta que os professores cumpram com a carga horária”.

Na falta de inspectores, fiscalizam os directores Neste importante departamento do sistema de ensino-aprendizagem, que tem grande relevância no controlo dos métodos, disciplinas, horas de trabalho e conteúdos programáticos leccionados, a falta de fiscais obriga os directores das escolas a exercerem essa tarefa. Ciente das potenciais falhas inerentes a isto, o director do gabinete provincial da educação, Evaristo Calopa Mário, esclareceu que baseiam-se no princípio de que, as direcções de escola, os directores, são, de facto, os primeiros inspectores. Assim, para supervisionar o controlo dos directores, “os inspectores, que nós temos desencadeiam a acção inspectiva nas 1.276 escolas. Obviamente, não com regularidade ou incidência exigidas, dado o número reduzido, compondo apenas 40% dos necessários”. “Há necessidade de cooptarmos professores experientes para serem formados e serem treinados à luz do novo paradigma da inspecção escolar, visando corresponder a uma acção inspectiva que supervisione as actividades (lectivas)”.

Sobrelotação das turmas afecta qualidade de ensino Quanto ao rácio número de alunos por cada sala de aula, na província de Benguela cumpre-se apenas “em certa medida”, anuiu o director Calopa Mário. Muitas são as salas sobrelotadas, com uma média de 60 alunos, podendo chegar aos 80, pelo que, “o incremento de alunos por turma põe em causa a qualidade do sistema de ensino, prejudicando também os professores”. Indagado se deste modo estará a falta de qualidade no ensino interligada às privações a que estão sujeitos os professores, respondeu que “em parte, não na totalidade”, opinião sustentada com dados empíricos. Uma vez que, docentes que leccionam em salas provisórias ou improvisadas, tal como os alunos, enfrentam condições impróprias, sujeitos ao calor, sem carteiras ou quadros, certamente tenderão a estar desmotivados, reflectindo-se negativamente na sua execução. “Temos um número considerável de escolas, com salas de aulas definitivas, com um número regular de alunos por sala de aula, em que tem de haver maior empenho por parte dos professores”, reconheceu Calopa. Admitindo, portanto, alguma culpabilidade individual no desempenho dos professores que, tendo as condições “ideais” de trabalho, ainda assim, carece qualidade nos seus métodos, instruções e práticas de ensino diárias, sentenciando negativamente o futuro dos alunos.

Faltam 7.058 salas de aulas

O actual número de salas de aulas em Benguela é de 11.009, volume sabido ser muito aquém das reais necessidades, ditadas pelo crescimento demográfico desordenado, que culmina na demanda pelos serviços de ensino público. Deste modo, falta construir 7.058 salas de aulas na província. No presente ano lectivo, o Gabinete Provincial da Educação conta com 26.686 funcionários. Destes, 2.034 são administrativos, 21.783 professores activos e 34 inspectores, sendo que, o director provincial está há 10 meses nessas novas lides. Em falta estão aproximadamente 80% de salas de aulas definitivas, três mil professores, 10 mil carteiras e cadeiras, para dignificar centenas de milhares de crianças e incluir-se as 85 mil que ficaram excluídas este ano.