Desde Sexta-feira já morreram pelo menos 260 pessoas, 140 das quais talibãs, em Ghazni, no Afeganistão

100 elementos das forças de segurança, mais de 20 civis e mais de 140 guerrilheiros talibãs morreram nos últimos dias na cidade afegã. Aumentam as dúvidas sobre quem controla a cidade.

Mais de 20 civis e pelo menos 100 elementos das forças de segurança morreram nos últimos quatro dias na cidade de Ghazni, no Afeganistão, na sequência de nova ofensiva de guerrilheiros talibãs que atacaram a cidade em quatro pontos estratégicos. Os números foram revelados pelo governo afegão em conferência de imprensa na Sexta-feira.

Segundo o Governo, pelo menos 200 talibãs morreram na sequência dos combates, mas uma fonte do exército norte-americano que combate em Ghazni apresentou um número diferente à rádio pública dos Estados Unidos da América (NPR): falou em “cerca de 140” talibãs mortos nos últimos dias. Já esta Terça-feira, o Governo afegão anunciou ter expulsado os talibãs da cidade, uma nota desmentida pelo grupo islâmico. O ataque relâmpago de Sextafeira surpreendeu as forças de segurança afegãs e norte-americanas que defendem Ghazni, cidade que serve de ponte estratégica entre a capital Kabul e Kandahar, devido às estradas de acesso às duas cidades. O ataque foi mais um golpe duro no regime de Ashraf Ghani (o Presidente), que depois dos combates destacou mais mil elementos do exército para a cidade.

Segundo relata a BBC, o Governo afegão e os seus aliados na OTAN insistem que mantêm o controlo da cidade, mas relatos locais sugerem que ainda há guerrilheiros talibãs a andar pela cidade e a controlar edifícios estratégicos do Governo. As comunicações estão em baixa, pelo que é difícil obter relato fidedignos sobre o que se passa em Ghazni. Ainda assim, um homem que este Domingo fugiu da cidade declarou à estação britânica que “a vida está a tornar-se difícil para as pessoas, pois que não se consegue obter comida nem água”.

Numa declaração publicada Segunda- feira, o coordenador do departamento de Apoio Humanitário da ONU para o Afeganistão, Rik Peeperkorn, afirmou que “há relatos de escassez de medicamentos no principal hospital” da cidade e que “as pessoas não conseguem levar as vítimas para tratamento em segurança”, devido à vigilância talibã. Segundo relatos esporádicos vindos da cidade, muitas famílias ter-se-ão abrigado em casa e não conseguem sair. As redes vitais de telecomunicações e os serviços de eletricidade estão em baixa na cidade, em que vivem 270 mil pessoas. Isso teve impacto nos serviços de abastecimento de água. Também há relatos de escassez de comida”, lê-se ainda.