Carta do leitor: Zona Económica Especial

Quase 11 meses depois de ter chegado ao poder, o Presidente da República, João Lourenço, visitou ontem a conhecida Zona Económica Especial (ZEE), em Luanda, um conglomerado de infraestruturas que deveriam dar lugar às indústrias ligeira e pesada no âmbito da diversificação da economia que se pretende no país.

POR:Júlio dos Anjos
Luanda

A ZEE, até então sob a responsabilidade de uma subsidiária da Sonangol, é uma cópia de projectos semelhantes que existem na China, país de onde se foi buscar o modelo e replicado mais de acordo com os intentos dos construtores do que propriamente do que se pretendia investir no local. Alavancados no subterfúgio água, energia e infraestruturas rodoviárias, que se supõe existir em toda a sua extensão, o referido projecto há muito que se transformou num elefante branco. Os empresários que se arrogaram, inicialmente, ao propósito de aí se instalarem muito cedo perceberam que, apesar de estarem perto de Luanda, a produção de determinados bens acaba por sair mais caro, se comparados com investimentos semelhantes que fossem transferidos para países fronteiriços ou mesmo noutros continentes. O modelo chave na mão, em que o Executivo se julga o mais competente para criar condições para os investidores, é uma prática fracassada. Alguns países africanos, como a Etiópia, que também têm na China o principal parceiro, hoje preferem criar determinadas infraestruturas e os investidores avançam com os projectos que julgarem imperiosos. Num modelo de economia de mercado, há modelos que já não se ajustam. E, pior ainda, se se acrescer os preços elevados e a falta de isenção e os impostos.