Filipinas avisam Pequim para parar com reivindicações no mar do Sul da China

O Presidente das Filipinas advertiu Pequim, Terça-feira, que não deve construir ilhas artificiais no Mar do Sul da China para depois reinvindicar a sua jurisdição sobre o espaço aéreo e marítimo da região.

A China “não pode criar uma ilha (…) e depois dizer que o espaço aéreo sobre essas ilhas artificiais lhe pertence”, afirmou Rodrigo Duterte, num discurso para uma audiência que incluía o embaixador norte- americano nas Filipinas e outros convidados estrangeiros. “Isso está errado, porque são águas internacionais”, considerou o Presidente, numa crítica pública especial às autoridades chinesas. “O direito de passagem deve ser garantido, não é preciso permissão para navegar pelos mares abertos”, acrescentou. A agência de notícias Associated Press (AP), há duas semanas, noticiou que as autoridades filipinas têm manifestado inquietação face ao número crescente de mensagens de rádio chinesas avisando aviões e navios filipinos que permaneçam longe das ilhas artificiais construídas por Pequim.

Espero que a China acalme o seu comportamento (…). Um dia destes um comandante de cabeça quente vai premir o gatilho”, advertiu Duterte. Segundo um relatório oficial das autoridades filipinas a que a AP teve acesso, no segundo semestre do ano passado, aviões militares filipinos receberam alertas de rádio chineses pelo menos 46 vezes enquanto patrulhavam zonas vizinhas às ilhas artificiais construídas pela China no arquipélago Spratly (arquipélago desabitado no Mar do Sul da China, com mais de 750 recifes, ilhéus, atóis e ilhas). A China transformou sete recifes em ilhas artificiais. As novas ilhas são vizinhas a outras ocupadas pelo Vietname, Filipinas e Taiwan. Malásia e o Brunei são outros países que disputam a jurisdição sobre ilhas e recifes ricos em rescursos pesqueiros e potenciais depósitos de combustíveis fósseis.

A China alega que a maior parte do mar é seu, construiu várias ilhas artificiais equipadas com pistas de aviação, estações de radar e mísseis para reforçar a sua reivindicação. Agora acusa os EUA, que patrulham habitualmente as águas com aviões, porta-aviões e navios de guerra, de se intrometerem numa disputa exclusivamente asiática. A cadeia de televisão CNN informou, na semana passada, que as forças armadas chinesas repetidamente advertiram um avião da Marinha dos EUA que voava perto de algumas destas novas ilhas para “sair imediatamente e manter-se afastado para evitar um eventual mal-entendido”. “Os nossos navios e aeronaves registaram um aumento de pedidos de consulta chineses via rádio que parecem ter sido emitidos desde as novas instalações terrestres no Mar do Sul da China”, declarou à AP o comandante Clay Doss, oficial de assuntos públicos da 7ª Frota dos EUA. “Essas comunicações não afectam a nossas operações”, comentou.