Pendências

E Angola vai reconciliar-se consigo mesma de forma acabada. Pelo menos é este o caminho indicado pelo Presidente da República, João Lourenço, que fixou o fim deste ano como prazo para se terminar um processo que vem de há anos, o da exumação e trasladação dos restos mortais de Jonas Savimbi, o líder fundador da UNITA, que está sepultado no Luena. A família e o seu partido querem- no noutro local.

POR: José Kaliengue

Nada de mais normal. O que não é normal é o processo ter levado tanto tempo. Savimbi poderá, ou não, ser “destino” de romarias dos seus seguidores, mas já o é enquanto existir UNITA e quem o venere. O que também não tem nada de anormal. Vivemos em democracia e o seu legado, pelos vistos, faz também parte desta democracia e da Independência. Precisaria o Estado de o ter como uma espécie de troféu? Não, apenas para fins de Estado, se o julgar necessária a sua memória. O resto é assunto familiar. Em Angola é assim. João Lourenço resolve um problema da UNITA? Não e sim. Resolve um problema dos angolanos, que querem ver pelas costas tudo o que os políticos gostam de chamar de passivos da guerra. Ao estabelecer um prazo, João Lourenço tem ganhos políticos? Sim, derruba mais um argumento da Oposição e cimenta a sua condição de reformista e democrata. Com Savimbi resolver-se-á o problema de outros corpos? certamente. E o 27 de Maio, como fica? João Lourenço surpreenderá também. O país tem de se livrar das contradições desnecessárias do passado, há um futuro desafiante pela frente.