Reserva alimentar pode agravar fome nos Gambos

O presidente da Associação Construindo Comunidades(ACC), Padre Jacinto Pio Wakussanga, alertou que a falta de reserva alimentar das populações nesta região, pode despoletar numa nova crise de fome.

POR: Norberto Sateco

Em entrevista a OPAÍS,ontem, o padre alertou que cerca de sete mil famílias poderão enfrentar a fome nos próximos dias, devido à escassez de alimentos resultante das irregularidades das chuvas nesta circunscrição. Embora tenha admitido que a situação registou algum progresso na campanha agrícola passada, as reservas não foram suficientes para assegurar a alimentação das famílias durante este ano.

“Os celeiros das famílias já se encontram abaixo do meio e esperamos que no próximo ano venha a cair mais chuvas com regularidade”, disse o também pároco da Missão Católica dos Gambos. Para contornar a situação, algumas populações optaram pelo abate de árvores para produzir carvão, que depois é comercializado, e dele criar alguns rendimentos para comprar mantimentos, sendo que outros vão dedicar-se à caça para mitigar a fome. Revelou que as famílias que poderão ser mais afectadas, são as do interior do município e sem recursos financeiros para sobreviver, ao contrário das que detêm uma população bovina mais numerosa, que conseguem facilmente arranjar alternativas.

Localidades mais críticas As localidades mais críticas continuam a ser as de Fimo Chipeio e da Taca, em que o soba Fernando Mutihanaco, da última zona, citado por Pio Wakussanga, descreve o quadro como dramático e que as pequenas ajudas são insuficientes face ao número de famílias. Segundo a fonte, no fim de mais uma época agrícola, as famílias terminam com nada, devido às irregularidades das chuvas, que comprometeram as previsões de uma boa colheita.

População animal

Entretanto, para o ano agrícola que termina, a situação também atingiu a população animal, em que por irregularidades das chuvas e a consequente falta de alimentos, morrem mais de 30 cabeças de gado bovino por mês. As mortes destes animais, que constituem a principal riqueza dos povos do Sul de Angola, têm limitado a capacidade de aquisição de mantimentos que resultavam de trocas directas.