Marginais soltos “aterrorizam” cidadãos

O comandante-geral da Polícia Nacional, Paulo Gaspar de Almeida, ontem, em Luanda, reuniu-se com os comandantes provinciais para traçarem estratégias de combate e prevenção à criminalidade, bem como para reforçar a atenção nos postos municipais.

O comissário-geral da Polícia Nacional, Paulo Gaspar de Almeida, revelou ontem, em Luanda, que muitos dos que apoquentam a tranquilidade dos cidadãos são pessoas que já passaram várias vezes pelas prisões.Ao discursar na abertura da primeira reunião com os comandantes provinciais que presidiu, orientou os comandantes a refletirem sobre isso e sobre a chamada de atenção do Comandante- em-Chefe, feita no dia do seu empossamento, de que “o combate à criminalidade não é tarefa exclusiva da Polícia, mas de toda sociedade”. Entretanto, orientou os mais altos dirigentes da Polícia nas 18 províncias do país a mobilizarem os cidadãos, as instituições públicas, privadas e religiosas para colaborarem nas tarefas da prevenção e combate à criminalidade, monitorando-os nas acções de manutenção da segurança pública. Por outro lado, defendeu que é nas unidades municipais que o trabalho do Polícia começa. Por esse facto, a corporação deve prestar-lhes mais atenção, quer do ponto de vista organizativo, funcional e, sobretudo, operacional.

Paulo de Almeida recomendou aos seus colaboradores directos uma melhor cobertura policial ao nível dos municípios, comunas, bairros e centralidades, respondendo oportunamente às preocupações dos cidadãos. Sublinhou que a prestação de serviços e atendimento ao cidadão tem que ser mais credível. Reconheceu que na corporação há bons agentes, subchefes, oficiais, chefes e comandantes, pelo que devem ser valorizados, dando- lhes a oportunidade de demonstrarem as suas reais capacidades. O comandante-geral apelou aos comandantes a não ofuscarem as boas perspectivas em matéria de recursos humanos, tendo em conta que, o êxito do trabalho depende da harmonia, camaradagem e coesão. “Os comandantes não devem ter grupos, o seu ou o meu homem, devemos ser um por todos, todos por um”, frisou. Detalhou que o respeito, a disciplina, o civismo e o espírito de liderança devem ser atributos dos comandantes. “Infelizmente, tem-se constatado excessos nas actuações a nível da corporação, assim como registado a participação de agentes, a distintos níveis, em actos criminais.

Estes devem responder criminal e disciplinarmente e serem afastados da corporação”, acentuou. Quantos às estratégicas de actuação dos efectivos, referiu que continuarão a trabalhar na base dos programas existentes, bem como nas directrizes provindas do Ministro do Interior e das orientações do Presidente da República. “Quero com isto dizer que não há, nem pode haver nenhuma interrupção na actividade desenvolvida, pelo facto de ter havido uma mudança do Comando”, sublinhou Paulo de Almeida. Por outro lado, considera que os crimes contra o património público constituem uma ameaça ao desenvolvimento do país e o apagar das conquistas do povo e do Governo. Neste sentido, devem redobrar as capacidades operacionais para detectar os novos modos de actuação da criminalidade qualificada. Apelou também aos órgãos do sistema de justiça a continuarem a julgar em harmonia com a lei e a consciência patriótica, objectiva e realista, de modos a não desencorajar ou enfraquecer os esforços daqueles que lutam pela manutenção da ordem e tranquilidade públicas.