Barraca clama por “primeiros socorros”

A coordenação apela à “absorção” dos serviços médicos prestados pelo único enfermeiro (privado) instalado na região, para, em jeito de parceria, se garantir assistência médica e medicamentosa à população.

Os habitantes da localidade de Barraca, município do Icolo e Bengo, em Luanda, pretendem que seja instalada uma unidade de atendimento médico na referida zona, para minimizar as situações de saúde que os têm obrigado a optar pelos hospitais da sede municipal. O clamor dos residentes deve-se às mais recentes enfermidades que afectam a comunidade, tais com dor-de-cabeça, gripe, tosses e anginas, além de crises estomacais e surtos de paludismo, revelou Vasco Luís. “Até para acudir a esses surtos temos que ir a Catete fazer consultas e análises clínicas, quando aqui devíamos ter pelo menos um posto médico para esses atendimentos básicos”, declarou o residente, tendo adiantando que nem sequer havia uma casa ou um stock para curativos, sob a égide da coordenação local. Vasco Luís falou apenas sobre uma campanha levada a cabo por entidades que, na altura, se apresentaram como membros da Administração Municipal de Icolo e Bengo, cujo objectivo era sensibilizar a população local acerca das medidas de prevenção, uma actividade que culminou com a entrega de mosquiteiros.

Para si, é urgente que o Governo destaque, na barraca, alguns técnicos de Saúde, para acudir aos habitantes, mesmo que tal exija que se deva construir um centro médico. A única alternativa do bairro, no capítulo de serviços de Saúde, é um posto adaptado a um enfermeiro que, há já algum tempo, chegou à localidade, mas que não presta assistência grátis por se tratar de uma propriedade privada. Quem confirma isso é Salomão Benguela, que repetidas vezes já recorreu ao referido posto médico, quando se viu acometido por algumas dores no corpo. “Por duas vezes, já implorei a este enfermeiro. Na primeira até estava com fortes dores-de-cabeça, pedi que ele me fizesse uma consulta para acalmar o sofrimento, mas o senhor me disse mesmo: sem dinheiro não faço nada”, recordou, realçando que na segunda ocasião foi-lhe negado um curativo por lhe faltarem menos de 500 Kwanzas na conta a pagar.

Narrativas do género foram prestadas por senhoras que, confiantes na mudança de postura do único enfermeiro do bairro, preferiram o anonimato para não verem, no futuro, os seus pedidos de socorro desprezados pelo técnico de Saúde em causa. OPAÍS envidou esforços para contactar o enfermeiro, que, contudo, não se encontrava na Barraca. Aliás, os moradores declararam que o mesmo nunca chega chega antes das 10 horas. As aflições da população da região agravam-se, quando as necessidades de socorro ocorrem na calada da noite ou de madrugada, uma altura do dia em que raramente circulam automóveis na Estrada Nacional 230, sendo muito poucos os que aceitam socorrer quem quer que seja, segundo os interlocutores deste jornal.

Parceria como alternativa

O coordenador da Barraca, Martins Mateus Bumba, considerou que a população local e ele próprio, quando o assunto é tratar da saúde, passam por situações muito complicadas. “Aos nossos superiores, sempre fazemos chegar esta preocupação, mas só pedem para esperar, então só nos resta ficar na expectativa de que um dia seremos acudidos neste sentido”, desabafou o líder da comunidade. Relativamente ao enfermeiro que se instalou na localidade, Martins Bumba não desmentiu as informações avançadas pelos habitantes, e limitou-se a dizer que, tratando-se de um prestador de serviços privados, ele não pode impedir as cobranças. “Mas não deixo que ele cobre preços exagerados, pois, mesmo que forem valores baixos, a população daqui é pobre, não tem dinheiro”, referiu o coordenador, tendo realçado que uma medida alternativa passava por uma parceria entre a administração e esse técnico de saúde, que já mostrou o interesse de se instalar num bairro em que muitos profissionais evitam trabalhar. Finalmente, Martins Bumba garantiu que a sua equipa continuará a fazer esforços para que a Barraca venha a ter uma unidade com serviços hospitalares. “Ainda que forem os mais simples”, rematou.