Editorial: Não é só na política

Já aconteceu na academia, em clubes desportivos, em associações estudantis. Agora é a vez dos artistas. Parece uma predisposição genética, a incapacidade de os angolanos organizarem, participarem e aceitarem processos electivos normais, para o bem dos representados. A democracia só existe quando se ganha e, infelizmente, para se ganhar faz-se de tudo, porque tudo serve. O tribunal acabou por prorrogar o processo que decorria até agora e os artistas terão de ir a votos noutra ocasião. Entretanto, num assunto que devia representar também uma festa, os ânimos extremaram- se ao ponto de haver processos judiciais e tudo o que é jogo baixo. Dificilmente se conseguirá qualquer tipo de união depois disso, e a classe continuará a perder, a desprestigiar-se, a mendigar. Realmente, o cancro da incapacidade democrática de alguns não é só na política.