Falta de maternidade força mulheres a darem à luz na via pública em Cabiri

A circunscrição, que tem um de 34 mil habitantes, dispõe apenas de cinco postos de saúde que funcionam em condições débeis. No plano da educação, 3 mil crianças estão fora da escola

POR: Domingos Bento

“Já tivemos casos de mulheres que dão à luz na via pública. É muito recorrente, isso. Outras não resistem e acabam por falecer”, revelou, o administrador comunal de Cabiri, Manuel Luís, em entrevista ao OPAÍS. O mais alto responsável da administração do Estado nessa circunscrição, que dista 25 quilómetros da sede do município de Icolo e Bengo, em Luanda, disse que muitas das gestantes vivem distante da sede da comuna e, na hora de terem o parto, são obrigadas a recorrer à vila de Catete.

Para agravar ainda mais a situação, por falta de transporte, algumas delas são levadas para a unidade hospitalar mais próxima em carro de mão, o que tem provocado abortos, em consequência de quedas das parturientes, entre outros factores. “Portanto, se tivéssemos aqui uma maternidade não teríamos necessidade de passarmos por isso”, frisou. A circunscrição, que tem cerca de 34mil habitantes, dispõe apenas de cinco postos de saúde que funcionam em condições débeis. De acordo com o governante, nesse momento, urge a necessidade de se construir um hospital materno-infantil que possa acudir a situação das mulheres grávidas que vivem situações difíceis.

Faltam cerca de 30 escolas para mais de três mil crianças

Para além da saúde, Manuel Luís fez saber que outra das grandes preocupações com que a zona se debate prende-se com a escassez de salas de aulas. A comuna de Cabiri precisa de 29 escolas primárias para albergar mais de três mil crianças que este ano lectivo se encontram fora do sistema de ensino. O administrador comunal da zona, Manuel Luís, disse, em entrevista ao OPAÍS, que, diferente de outras partes de Angola, onde na falta de escolas públicas existem as privadas, na sua circunscrição não existem tais iniciativas. Segundo o responsável, no passado, algumas igrejas tentaram, oferecer escolaridade às crianças até a segunda classe, mas sem sucesso. Ao meio do caminho desistiram, o que levou a que os menores voltassem a ficar em casa. No entanto, para colmatar as dificuldades, Manuel Luís solicitou a intervenção do Governo e de outros parceiros sociais, no sentido de se encontrar uma solução que passe pela construção de uma escola em cada uma das 29 povoações que formam a comuna.

Dada a falta de unidades escolares, muitas crianças são obrigadas a deslocar-se ao centro do município, percorrendo diariamente 50 quilómetros de distância(ida e volta) para terem acesso às aulas. Porem, atendendo as vicissitudes, a maioria acaba por desistir ao longo do ano e as que continuam terminam o ciclo académico sem o aproveitamento desejado. No entanto, com o ano a seguir passos largos para a fase final, o administrador comunal de Cabiri disse ser necessário que haja a intervenção urgente de todas as forças vivas da sociedade, de forma a minimizar o problema do ensino naquela circunscrição. “Essas crianças que hoje estão a ser abandalhadas amanhã podem representar um perigo para o Estado e para as suas famílias, caso continuem assim, sem escolas. Então, queremos pedir a boa-fé de todos, no sentido de se construir aqui estabelecimentos de ensino para elas”, solicitou. Manuel Luís disse ainda que a zona, que é potencialmente agrícola, enfrenta sérias dificuldades de água potável. Dos 34 mil habitantes, apenas 7 mil têm acesso à água potável. O restante consome água imprópria proveniente de lagoas e do rio, o que tem provocado sérios problemas de saúde.