Vietnamitas detidos por contrabando de marfim e chifres de rinoceronte

Mais de duas toneladas de marfim, chifres de rinoceronte e demais produtos da fauna e flora angolanas, estavam em posse desses estrangeiros, retirados da província do Cuando- Cubango.

Cinco cidadãos de nacionalidade vietnamita foram detidos, em Luanda, pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), acusados do crime internacional de contrabando de marfim e chifres de rinoceronte, em quantidades avaliadas em mais de USD 4 milhões, na Quarta-feira. Nguyen Quang Dung, também conhecido por Alex, de 39 anos, é considerado o cabecilha da quadrilha que integra os cidadãos Nguyen Van, de 37 anos, Nguayen Thanh Tuan, de 40 anos, Nguyen Minh Nghia, de 19 anos, e Le Van Hung, de 34 anos. Nguyen Minh Nghia e Le Van Hung foram apanhados em flagrante às 22horas, de Terça-feira, no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, quando tentavam sair ilegalmente do país com estes produtos acondicionados em malas.

Os dois cidadãos transportavam quatro malas contendo 27 peças de cornos de rinoceronte com 20 Kg de peso, encobertas com brinquedos, lâmpadas e frutas protegidas por lâminas de aço destinadas a despistar as lâmpadas de Raio-X do Aeroporto. Segundo o director do Gabinete Nacional de Comunicação Institucional e Imprensa do SIC, Tomás Agostinho, os presumíveis contrabandistas agiram a mando de Alex, que supostamente terá orientado um outro vietnamita, detido nas mesmas circunstâncias, no dia 12 do corrente mês. As outras detenções ocorreram numa residência arrendada por Alex, no bairro São Paulo, local em que estavam armazenadas acima de duas toneladas de marfim, chifres de rinoceronte e outros produtos protegidos pela Convenção Internacional de Protecção de Espécies da Fauna e Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção.

Indagado pelo jornal OPAÍS se os estrangeiros receberam algum auxílio de cidadãos nacionais para concretizar os seus intentos, o sub-comissário Tomás Agostinho afirmou que eles não trabalhavam sozinhos, mas, até ao momento, nenhum angolano foi detido neste caso. Tomás Agostinho declarou que o destino inicial dos produtos era o mercado negro do Vietname, realçando que os mesmos regressaram a Luanda, provenientes da província do Cuando-Cubango. “É bem provável que a rede seja extensa. Tinham outras residências para disfarçar, mas era aqui no São Paulo, onde acondicionavam as maiores quantidades do produto”, revelou o responsável pela comunicação do SIC. Ainda não se sabe há quanto tempo os vietnamitas se encontram no território nacional com vistos de trabalho. Contudo, a residência do São Paulo, também usada como uma pequena fábrica artesanal de obras em marfim e em chifres de rinoceronte, estava arrendada há um ano.

Pangolim: mamífero que vale ouro

Em posse dos estrangeiros foram ainda encontradas quantidades, ainda por determinar, de escamas de Pangolim e produtos da flora angolana que também seriam vendidos no mercado negro. O Pangolim é um animal com uma característica singular entre os mamíferos, porque possui o corpo totalmente coberto com escamas, típico de zonas tropicais como a Ásia e a África. É um dos animais mais traficados do mundo, por isso, está em risco de extinção. Em Angola encontra-se na região sul do país, concretamente no Moxico e Cuando- Cubango. No Vietname, a sua carne é uma iguaria exótica caríssima, que chega a custar USD 250 o quilo. As escamas do pangolim, feitas de queratina, também são muito visadas. Têm sido usadas para fins medicinais, dada a crença de que possui propriedades curativas face a males como o cancro. Produtos artesanais também são feitos com a escama do pangolim. Esses artigos são comercializados a custo de ouro e chegam a custar USD 1.500.