Ademar Andrade: O empreendedor de calçados de cabedal premiado

Tem a sua oficina no bairro Dangereux, município de Talatona, e uma das duas lojas na rua do MAT, onde comercializa sandálias, chinelas, pastas de cabedal, cintos e não só. O seu desejo é ser um grande industrial nesta área.

É um jovem que sempre lutou pela vida desde cedo. Ademar Andrade “Mário”, 33 anos de idade, jovem empreendedor, conta que apostou na área de confecção de calçados de cabedal e pastas por influência de um tio paterno que já era artesão e também pelo próprio pai, que viu nele talento. Nasceu na cidade do Lobito, província de Benguela, mas foi na cidade de Benguela que começou a confecionar sandálias, chinelas, louaco, coleiras, pastas, cintos, pulseiras, quadros e outros utensílios feitos de cabedal, isso no longínquo ano de 1997. Três anos depois, em 2000, decidiu abalar para Luanda, cidade de oportunidades, em busca de outros “voos”. Na viagem, feita através de uma barcaça, Mário decidiu trazer consigo uma série de calçados para vender em Luanda. “Durante a viagem, que demorou uma semana no mar, o barco onde viajávamos era invadido pelas águas salgadas que acabaram por estragar todos os 20 calçados que eu trazia para vender.

Era a única forma que tinha para me sustentar em Luanda”, contou, ainda com nostalgia. Mas como o destino estava traçado na arte de confeccionar utensílios feitos de cabedal, Mário recebeu uma oferta de um fio de ouro de uma irmã. Vendeu e comprou cabedal. “Com o cabedal comprado no Bairro Popular, em Luanda, na sapataria do senhor Jorge, produzi calçados e vendi-os no Prenda, na rua da 8ª Esquadra. E nunca mais parei”, conta. Em 2002 participou pela primeira vez na Feira Internacional de Luanda FILDA, onde fez bons negócios, como ele próprio afirma. “Em 2006 venci o prémio de artes da FILDA. E recebi um Leão de Ouro, o maior prémio. Este prémio entreguei-o à minha avó, por me ter dado muita força”, lembra. Actualmente, o jovem emprega sete pessoas, sendo três mestres, incluindo ele próprio, duas funcionárias nas lojas, igual número no apoio administrativo.

“A minha esposa tem uma grande participação neste processo, uma vez que vem de uma família de artesões”, reconhece. Para mostrar os seus produtos, cuja qualidade está assegurada, segundo o empreendedor, Mário já participou em várias exposições temáticas e multi-sectoriais, com realce para a feira do Cuanza-Norte, onde foi o último grande vencedor. “Já venci prémios no Uíge, em mais de duas ocasiões seguidas, e o mesmo sucedeu com a feira do Cuanza-Norte. Isso aconteceu pela qualidade do trabalho, uma vez que somos mais de 200 artesões”, valorizou os prémios. O seu maior desejo é abrir uma grande oficina onde poderão ser confecionados, de forma industrial, sandálias, chinelas, pulseiras, coleiras e outros utensilio. “Estamos a trabalhar para isso, e para abrirmos um centro de formação onde esperamos transmitir a nossa experiência aos mais jovens”, disse.

Dificuldades

Sem apoio de instituições financeiras, Ademar Andrade debate- se com outro problema: a falta de matéria-prima. De acordo com ele, no país não existe nenhuma fábrica de cabedal. “Temos comprado algum cabedal nos antigos trabalhadores da fábrica de Benguela, que agora produzem de forma artesanal. E como deve imaginar, não é o suficiente para abastecer o mercado”, disse. Por isso, o mercado internacional tem sido o recurso. No entanto, a escassez de divisa condiciona a aquisição no estrangeiro.