Bomba B

Na semana passada tornaram- se virais postes de jovens recém-licenciados nas redes sociais, fundamentalmente no Facebook, em que novos doutores se mostram a exibir o canudo e breves legendas das fotos. Um desastre.

Por: José Kaliengue

Como foi possível algumas pessoas terem chegado ao bendito canudo? Tudo o que vale é a propina em dia? Em termos de qualidade, dá para ver que temos universidades e escolas a fabricar aquilo que no conjunto será a bomba de destruição massiva que destruirá este país! Já faltou mais tempo, dizem alguns cépticos.

Aqueles jovens das fotografias, orgulhosos, ignoram que não aprenderam nada. Porém, o meu problema não é com eles, é com quem os avalia, que também não tem competências para distinguir o errado daquilo que está certo.

Conheço senhoras e senhores doutores, dos que andam no banco de trás do carro conduzido por um motorista, que apenas viajam em classe executiva ou na primeira, que usam pastas e roupas de marca, e que escrevem “de mas” quando deveriam escrever “demais”, escrevem “com tudo” em vez de “contudo”. Dizem “desfolhar” um livro em vez de “folear”.

E dizem, e escrevem “no telefonema onde fiquei a saber”, em vez de “em que soube”. O “onde” e o “que na qual” estão a fazer estragos. E estes doutores não sabem escrever uma carta com o mínimo de regras, não sabem quando, ou em que circunstâncias se deve usar letras maiúsculas ou a cor vermelha.

Estes doutores, que fazem questão de assim ser chamados, são director e s , admi n i s t r ador e s , professores e alguns estão na Assembleia Nacional e em determinados cargos do Governo. A bomba já está construída, agora vai aumentando a sua capacidade destrutiva. Veja-se muito do que sai das nossas universidades. Sim, sim, o “B” do título é mesmo de burrice.