A lei da fé

A proposta de lei sobre a liberdade religiosa aprovada ontem, em Conselho de Ministros, no Huambo, não é conhecida por todos nos seus pormenores, o que adensa a curiosidade. Ela deverá ser discutida na Assembleia nacional antes da sua aprovação, ou não, pelos deputados.

POR:José Kaliengue

Há que trazer alguma ordem ao espaço religioso em Angola. Há que proteger o Estado e as pessoas. O que transpirou, por enquanto, é a diminuição do número de assinaturas para a constituição legal de uma confissão religiosa, o que, em princípio, parece mau, porque pode facilitar a vida aos inventores de igrejas, mas não se sabe que mecanismos estão propostos para o seu controlo, que tipo de crivo mais está previsto, nem como, ou em que circunstâncias uma igreja pode ser encerrada ou proibida. A balbúrdia, como se sabe, é muita, as igrejas são a nova onde de empreendedorismo empresarial a que se entregaram muitas pessoas. Desde pequenas igrejas de armazém às multinacionais brasileiras, o negócio faz correr milhões, destrói pessoas e famílias, ameaça a segurança nacional e o Estado, infelizmente, não tem a coragem de agir, encerrando- as e metendo os seus falsos pastores na cadeia. As multinacionais religiosas invadiram os espaços de comunicação e são acusadas por muita gente até de tráfico de divisas, mas até agora o Estado nada faz, até porque está ele mesmo “minado” por gente a mando destas igrejas. Creio que a sociedade deve discutir com muita atenção a nova proposta de lei sobre a liberdade religiosa, até para recuperar alguma espiritualidade e salvaguardar- se da burla em nome do altíssimo. E também para revelar a coragem de negar, por exemplo, religiões que negam a Existência do Estado, da nossa história e da nossa cultura.