Administrador de Capelongo acusado de tentativa de violação sexual

O director em exercício do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Comando Provincial da Polícia Nacional, inspector-chefe Luís Filipe Zilungo, confirmou, a OPAÍS, o registo de uma denúncia sobre o assunto.

POR: João Katombela, na Huíla

O administrador da Comuna de Capelongo, Fernando António da Silva, de 49 anos, está a ser acusado de tentativa de violação sexual a uma cidadã de 23 anos de idade, residente na sede da sua área de jurisdição, na pretérita Quinta-feira. O facto terá ocorrido no interior da residência do governante. Maria da Pureza Luís, a vítima, relatou a OPAÍS que às 10 horas, pelo telefone, o administrador convidou- a a dirigir-se à sua residência, após o perído normal de expediente, porém sem avançar o motivo. Um dia antes, ela recebeu um telefonema de Fernando da Silva, administrador dessa comuna do município da Matala, província da Huíla, queixando-se de que telefonava com frequência para a potencial vítima, mas sem sucesso. Suspeitava que as suas chamadas estivessem a ser desviadas, ao que diz ter respondido negativamente, alegando nunca ter recebido qualquer telefonema dele.

A conversa ficou por aí. No dia seguinte, Quinta-feira, Maria Luís foi novamente contactada pelo governante, tendo este convidado-a novamente para a sua residência, ao que ela anuiu. A jovem, que exerce a actividade farmacêutica na mesma comuna, disse que conheceu Fernando da Silva na inauguração da farmácia em que trabalha. Na altura, o proprietário da referida farmácia orientara os seus funcionários a recorrerem à administração sempre que necessário. Maria Luís alega ser esta a razão para não recear o convite de Fernando da Silva para procurá-lo na sua residência, depois do expediente. “Ele pediu para nos encontrarmos às 19 horas de Quinta- feira. Respondi positivamente. Avisei às minhas colegas que iria encontrar-me com o administrador”, confessou. Assim que chegou à residência do governante, que até é próxima da sua, foi convidada a sentar-se no sofá. Seguidamente, segundo conta, Fernando da Silva beijou-a à força. Inconformada, ela fez tudo para travá-lo, porém sem sucesso. O gestor público conduziu-a ao quarto, também à força, atirou-a para a cama e descalçou-a, sem qualquer toque de sedução. Temendo pelo pior, Maria Luís diz que começou a gritar, pedindo por socorro, mas julga que ninguém a terá ouvido. “Disse-lhe que não poderia fazer nada porque estava de menstruação, e ele, inconformado, respondeu que precisava de confirmar. Depois de muito lutar, largou-me e foi para a sala”, detalhou.

“Chama a Polícia, estão a me matar”

A jovem conta que ante a persistência do seu algoz e a sua superioridade física, não viu outra saída senão enviar uma mensagem a uma amiga, pedindo que denunciasse à Polícia que estava prestes a ser morta. “Chama a Polícia, estão a me matar”, referia na mensagem de texto. Depois de enviá-la, aproveitou-se da ocasião em que o mais alto representante do Estado na Comuna de Capelongo, município da Matala, província da Huíla, se distraiu e fugiu, correndo. Pelo caminho, deparou-se com um agente da Polícia Nacional, a quem pediu socorro. Já Fernando António da Silva considerou a acusação como uma mera calúnia, alegando que ambos estavam no princípio de uma relação amorosa, pelo que ficou surpreendido com a reacção desta que, acredita, tenta manchar a sua imagem.

“Isso não corresponde com a verdade. Eu não queria entrar em pormenores porque já estou abalado com esta notícia. Estou a deixar isso nas mãos da justiça”, frisou. Acrescentou seguidamente que a jovem não foi forçada a ir à sua residência. “Antes já havíamos falado do assunto. Eu estava interessado nela e ela mostrou disponibilidade horas antes”, frisou. Para obter mais pormenores referentes ao assunto, o jornal OPAÍS contactou o director em exercício do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Comando Provincial da Polícia Nacional, inspector-chefe Luís Filipe Zilungo, que confirmou terem registado uma denúncia sobre o assunto.Explicou que, neste momento, o caso encontra-se sob alçada do Ministério Público para a aferir a denúncia, visando administrar-se a devida responsabilização criminal. “Realmente, a Polícia confirma a ocorrência. No entanto, o presumível autor nessa altura já está entregue ao Ministério Público para os procedimentos legais. Ele não está detido encontra-se sob investigação”, declarou.