Cartaz: “Estruturação do Mercado Audiovisual permitirá a criação da Indústria Cinematográfica em Angola”

A afirmação é de Afonso António, director do Instituto Angolano de Cinema e Audiovisual (IACA), ao pronunciar-se no acto de apresentação dos vencedores da I edição do concurso “Talent Factory”, esta Terça-feira, 28, uma iniciativa da Multichoice África

Texto de: Jorge Fernandes

O responsável afirmou que o facto só será consumado nos próximos quatro anos, caso se verifique uma estruturação no mercado audiovisual que envolva a componente formativa e de apoio técnico-material, sem que para isso os recursos sejam provenientes do Orçamento Geral do Estado (OGE).

Afonso António acredita no talento e na criatividade do povo angolano, mas lamenta a falta de instituições no país vocacionadas para lapidar esse engenho dos criadores nacionais. Daí a premência de implementar, não somente cursos superiores na área do cinema, como numa aposta em cursos profissionalizantes. “Temos o ISART e CEART, mas em nenhuma dessas instituições se lecciona Cinema. Apenas uma instituição privada o faz, em Luanda. Nem vou falar do resto do país.

Por outro lado, não há produção nacional que sustente o mercado e que motive o telespectador a consumir o nosso produto”, lamentou o director do IACA. Vencedores Emanuel Gonçalves e Leandro Lima, produtores independentes, são os vencedores do concurso “Talent Factory Academy”, uma iniciativa de investimento social pan-africana que visa impulsionar as indústrias criativas em países de África com potencial económico demonstrado.

Assim, a partir de 1 de Outubro, passam a beneficiar de uma formação com duração de um ano na companhia de mais 60 jovens talentos. A acção formativa envolve três academias regionais situadas no Quénia, Nigéria e Zâmbia, este último país acolherá os formandos angolanos.

Formação

O curriculum formativo proporcionará conhecimento teórico e prático em cinematografia, edição e produção de aúdio com foco para o conto de histórias. Além disso, os estudantes vão apreender o melhor da indústria cinematográfica africana.

A organização sublinhou que, no decurso da formação, os estudantes vão igualmente produzir conteúdos televisivos e cinematográficos, que serão transmitidos nos canais M-Net locais, utilizando a plataforma da Multichoice, incluindo Africa Magic, Maisha Magic e outros.

Expectativas Os jovens angolanos mostraramse motivados e expectantes em relação à formação de que vão beneficiar. Emanuel Gonçalves acredita que a formação será uma mais-valia destinada a suprir o deficit no sector cinematográfico.

“Pretendo absorver o máximo de conhecimentos, a fim de partilhar com o nosso país em particular e com o continente. Passaremos a fazer um trabalho mais profissional, e, acima de tudo, com melhor qualidade. Juntos, podemos inverter o quadro”, disse.

Por seu turno, Leandro Lima pretende igualmente partilhar conhecimentos e trocar ideias com outros criadores. Organizar formações periódicas, sobretudo com crianças, é um dos objectivos a que se propõe.-