Kiximbula

A minha banda tem Kiximbula, dança dos povos ambacas, caracterizada pelo rebolar da cintura (ancas), um frenesim sensual aos olhos de quem aprecia e alimenta a alma, vibra e exercita no compasso. Embora para adultos, na minha banda, também as crianças adoram kixibumlar, babomlear as ancas, a mbunda e tudo mais, nas suas brincadeiras de pura inocência, quiçá, como aprendizado, para quando mais kotas.

POR: João Rosa Santos

Na minha banda o kiximbula bate feio. Na alegria ou na tristeza, mexe e remexe, é pura magia que vem ao de cima, com cada qual a dar o melhor de si na eloquência JOÃO ROSA SANTOS da batucada que agita os mambos e pontapeia a vergonha. A rítmica não é estática. Está doseada de criatividade, enriquece a dança, impele novos toques de mestria, no rebola-rebola de sangue quente que eleva as batidas cardíacas, aumenta a temperatura e faz suar mesmo no cacimbo mais friolento. Kiximbula tem segredo, puxa apetite, mais a mais, quando das “umbigadas”, qual teste qual quê, para aferir a aceitação da parceira ou, no caso de um óbito, a vítima para desejos sexuais a céu aberto. Na sua canção “Man Polê”, o emblemático Mito Gaspar, pôs fogo na kangica, deu ênfase a uma ousada investida sobre uma mu- OPAÍS Sexta-feira, 31 de Agosto de 2018 31 lher comprometida (casada) que, na roda do tambi, seu kiximbular fez a diferença, se destacou das demais e provocou a cobiça em muitos olhares masculinos atentos e carentes. Na minha banda, kiximbula é dança popular que aquece e não arrefece, que acorda e não adormece, que pisoteia e arrasa a melancolia, que transforma tristeza em alegria, que anima e reanima a força e vontade de viver. Kiximbula não envelhece, está cada vez mais jovem, atrai e dá choque sem curto circuito, “tá mbora bom”, é ginga gostosa e prazerosa, tem uembu a fervilhar, anda entre nós e dá gozo, faz a vida nos levar.