Desafios da modernidade do Carnaval levados a debate no Espaço Verde Caxinde em Luanda

A actividade, enquadrada no ciclo de palestras mensais que tiveram início em Maio último, visa agregar valores e qualidades ao Carnaval angolano para atrair mais investidores e promotores desta manifestação cultural de várias décadas.

O Carnaval, a maior manifestação cultural do país, esteve em análise esta Quinta-feira, em fórum promovido pela Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde e pela Fundação Agostinho Neto, no Espaço Verde Caxinde, em Luanda. A conferência que reuniu responsáveis de grupos carnavalescos, académicos, estudantes, artistas, agentes culturais, entre outras individualidades, teve como prelectores a estilista Nadir Tati e o designer Rui Garção e concentrou-se também na abordagem de questões sobre os “Desafios da Modernidade do Carnaval – Indumentá-rias, Acessórios e Alegorias”. Os conferencistas passaram ainda em revista assuntos relacionados com a igualdade de tratamento na entrega de verbas aos grupos, a incapacidade dos júris em seleccionar um vencedor que vai de encontro com os critérios pré-estabelecidos pela organização, assim como a necessidade de impulsionar os compositores de músicas do Carnaval e a ausência de incentivo aos grupos.

Durante o debate dominado por várias intervenções e contribuições dos participantes, o prelector Rui Garção admitiu não haver condições para pôr em prática tudo o que se tem observado no Carnaval universal. Porém, acredita que são suficientemente inteligentes para aproveitarem aquilo que de melhor se faz no Carnaval no mundo. “Não temos condições de pôr em prática uma parte daquilo que vimos, mas tudo começa pela organização dos próprios grupos. Isto é perfeitamente possível”, disse Rui Garção, acrescentando que, no período mono-partidário, nos desfiles centrais do 1º de Maio, as empresas eram orientadas a participar e tinham todos os profissionais preparados e incorporados nas equipas que produziam as alegorias. No seu entender, este é, sem dúvidas, o caminho a seguir, trazendo todo o profissionalismo e adaptá- lo à nossa realidade. “Temos que deixar de levar um atrelado que eu vejo muitas vezes com pouca criatividade, com pouca inovação com pessoas lá em cima e com peixe na mão. Há coisas que já não podemos mais fazer se quisermos que o Carnaval seja atractivo”.

O designer reconheceu que para haja empresas, turismo e patrocinador, é necessário que se tenha em conta a qualidade do trabalho que vai ser financiado. Aconselhou os representantes e responsáveis das distintas agremiações carnavalescas a terem visão e percepção das coisas de modo agir sem hesitação. Acrescentou que enquanto não houver esta visão continuar-se-á a fazer um Carnaval um pouco mais limitado ou mais pobre, por receio. Na óptica do especialista, é necessário que se dê um passo em frente em busca de outra realidade, outra estrutura interna do próprio grupo carnavalesco, o que os obrigará a serem mais organizados. “Quanto mais organizados formos, melhor trabalho vamos produzir no final fim”, reforçou Rui Garção.