Director do Hospital Materno-Infatil de Malanje esclarece causas de mortes Maternas pós-parto

Os dados revelados à Angop, nesta Quarta-feira, pela chefe do Banco de Urgência do Hospital Materno- Infantil de Malanje (HMIM), Catarina da Glória, segundo os quais a referida instância hospitalar registou no primeiro semestre do ano em curso 50 óbitos maternos pós-parto, já mereceu a reacção de entidades sanitárias locais

POR: Miguel José, em Malanje

O director da unidade hospitalar em causa, Mateus Paquete Van- Dúnen, esclarece que dos 50 casos registados de mortes maternas pós-parto, 23 são extra-hospitalares que decorreram da inobservância do seguimento das gestantes em consultas pré-natal e quando acorrem à maternidade muitas delas apresentam um quadro clínico complicado ou já em fase terminal. Falando a OPaís, Mateus Paquete Van-Dúnen disse que o número de falecimentos podia ser menor, sendo que as ocorrências não dependem tão-somente da sua unidade hospitalar, mas também de um conjunto de factores exógenos relacionados com a educação das próprias mulheres, porque mais de 80 por cento das que acorrem para o parto são acompanhadas em outras unidades hospitalares e, na maior parte dos casos, mal seguidas.

Outro senão, muitas começam o parto no domicílio com pessoas não treinadas ou insuficientemente treinadas, fazendo com que cheguem aos cuidados hospitalar especializado em estado grave, já sem muito por se fazer. Por exemplo, o médico responsável do HMIM refere que no passado mês de Julho, foram preenchidos 10 boletins de óbito em condições idênticas. Dada a situação, que considera inquietante, aventa que para se diminuir o índice de mortalidade materna pós-parto urge a necessidade de se trabalhar na periferia, no sentido de educar as mulheres, assim como melhorar o valor técnico intra-institucional, para melhorar o atendimento às utentes.

Suposta má qualidade dos serviços

Por conta de tais ocorrências funerárias, maternas, a sociedade imputa responsabilidades ao HMIM, por, supostamente, prestar má qualidade no serviços de assistência médica às pacientes. No entanto, o director, embora reconheça que possa existir uma ou outra debilidade técnica, alega que os profissionais saem das suas casas justamente para salvarem vidas e têm procurado dar o melhor de si, a julgar pelas dificuldades, de ordem conjuntural, que afecta, não apenas, a sua unidade sanitária, como, à grosso modo, todo o sistema de saúde, devido à escassez de recursos humanos especializados, quer em quantidade, quer em qualidade. “Além de existir uma gritante carência de médicos e de enfermeiros especializados, por razões que todos conhecem, as pessoas não sabem (…) é que mais de metade das mortes pós-parto são motivadas pelo atraso que essas mulheres têm ao chegar aqui no hospital e pelo mau seguimento de muitas delas no decorrer da gravidez”, alega.

Sustenta que por existirem, na sua unidade hospitalar, apenas 5 médicos, isso obriga a que cada um trabalhe 24 horas, por piquete, o que de per si está longe de se prestar um atendimento de qualidade. Ainda assim, o director afirma que os profissionais de saúde afectos à maternidade, fazem o que podem, no intuito de diminuir os casos de óbito. Por via disso, para o atendimento normal, segundo o director da unidade hospitalar, dado o fluxo de ocorrências, em média diária de 90 mulheres, o ideal seria, pelo menos, três médicos e cinco enfermeiros, por turnos repartidos de 12 horas de serviço. Entretanto, lamenta a condição de algumas enfermeiras- parteiras, especializadas, por não estarem a ganhar sequer pela categoria, mas, mesmo