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Negócios religiosos em alta na peregrinação a Muxima

Milhares de fiéis católicos e não católicos juntam-se para a peregrinação à Muxima, desde Sexta-feira, em Luanda. Nesta ocasião, muitos cidadãos aproveitam para comercializar em grande escala produtos religiosos, como terços, camisolas e panos, entre outros, que dão força à manifestação religiosa

  • Por: Stela Cambamba
  • Fotos: Virgilio Pinto

Os produtos comercializados, maioritariamente adquiridos em países como a Tailândia e Brasil, são praticamente de carácter obrigatório para muitos fiéis católicos que neste momento se concentram no Santuário da Muxima para endereçam as suas preces. Caridade Panzo, vendedora de produtos religiosos há 15 anos, é uma viajante que sempre que há actividade do género desloca-se à província que está a organizar o evento.

Recentemente esteve no Lubango, onde participou na festa do “Menino Jesus de Prega”. Explica que, por forma a conseguir um lugar melhor para realizar as suas vendas, se desloca à vila dias antes do início da actividade, sendo que este ano chegou à Muxima na Quarta-feira, dia 29, e na Sexta-feira, dia em que falou com OPAÍS, tinha tudo organizado e as vendas decorriam sem sobressaltos. Vende produtos como panos, camisolas, a Bíblia sagrada, velas, terços, entre outros artefactos religiosos.

No presente ano, apesar de o reitor do santuário, o padre Albino Reyes, ter feito uma antevisão de um milhão de fiéis, em termos de vendas a comerciante diz que “está baixo”, pois a peregrinação passada esteve melhor.

De acordo com a nossa entrevistada, grande parte das vendedoras são católicas e, apesar de estarem a realizar as suas vendas, também estão a cumprir o programa da peregrinação, sendo que no momento das missas deixam as suas bancadas para acompanhar a celebração litúrgica.

Jorge Ricardo, representante das Irmãs Paulinas, afirma que é vendendo artigos religiosos que a sua organização evangeliza, os produtos mais vendidos têm sido a Bíblia, o livro pão da vida, e o missal quotidiano.

Fátima Deolinda Alberto, secretária do pároco do santuário da Muxima, comercializa os novos cartões de peregrinos no valor de 200 Kz, um livro que serve somente para os cristãos que frequentam regularmente o Santuário e não para os que acorrem apenas nos momentos festivos.

Três mil barras de sabão distribuídas

Para evitar doenças como a cólera e outras patologias, um grupo de escuteiros, em parceria com o Ministério da Saúde, distribui três mil barras de sabão aos peregrinos.

António Neto, médico responsável pela equipa do Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola (INEMA), revelou que para atender às ocorrências que poderão surgir ao decorrer da actividade estão disponíveis quatro ambulâncias de suporte, um posto médico avançado e um hospital de campanha, além de cerca de 10 postos fixos montados ao longo das vias que dão acesso à vila da Muxima.

Estão também destacados postos de serviço para atender a determinadas situações que poderão ocorrer. Até Sexta-feira, mais de 200 peregrinos procuraram os seus serviços e foram feitas cinco transferências. Entre os casos, registaram-se mordeduras de escorpião.

18 enfermeiros, cinco médico e seis técnicos fazem parte desta equipa. Quatrocentos e 76 escuteiros, entre adultos e jovens, representantes de 32 agrupamentos, ajudam as diversas instituições que “garantem o asseguramento da peregrinação”, como a Polícia, os Bombeiros e a equipa de Saúde, assumem também tarefas do protocolo no Santuário e nas missas, bem como devem evitar que os peregrinos passem por caminhos de risco.

Mil e trezentos polícias protegem os peregrinos

O comandante municipal da Quiçama da Polícia Nacional, Manuel Gonçalves Lopes, afirmou que 1300 efectivos das forças policiais vão assegurar a peregrinação ao Santuário da Muxima.

As forças estão distribuídas em parques de estacionamento, áreas de restauração e vias de acesso, O comissário-chefe aconselhou aos automobilistas que se dirigem a conduzirem de forma moderada e reduzir a velocidade. Por outra, os peregrinos que se deslocam à vila em autocarros de grande porte são obrigados apear-se a cinco quilómetros de distância, de modo a evitar acidentes. Manuel Lopes explicou que esta decisão se deveu ao facto de muitos destes veículos terem os travões que funcionam a ar e evita-se, assim, qualquer desastre.

“Devem ficar no quilómetro cinco, e o peregrino que tiver possibilidade financeira de pagar 100 Kz pelos miniautocarros disponíveis no local segue viagem, o que não tem caminha a pé”.

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