Thó Simões expõe “Congolândia – Multiversos em Desencanto” na galeria do CCCP em Luanda

A mostra reflecte a prática e o crescimento de Thó Simões nos últimos cinco anos e explora o gesto performativo da sua obra, ligada ao grafiti, e vai mais além ao assumir a performance como a própria obra

“co n golândia – Multiversos em Desencanto”, a mais recente criação do artista Thó Simões, será exposta Sexta-feira, 6, na Galeria do Camões – Centro Cultural Português em Luanda.

A colecção, constituída por obras de pintura, instalação e performance do artista, ficará patente ao público até ao dia 4 de Outubro. Segundo os anfitriões, a mostra reflecte a prática e o crescimento de Thó Simões nos últimos cinco anos e explora o gesto performativo da sua obra, ligada ao grafiti, e vai mais além ao assumir a performance.

“Congolândia – Multiversos em Desencanto” desenvolve-se em torno de um discurso sobre o poder, podendo, por isso, assumirse como crítica social, na qual o espectador é envolvido, passando a fazer parte da própria obra.

Nesta sua mais nova criação, Thó Simões reafirma o seu perfil abrangente, não susceptível de enquadramento em categorias ou estilos artísticos, muito demarcados e sem rótulos, apresenta pintura, instalação e performance, cria arte urbana e assume-se apenas como artista.

O artista

Filho da primeira geração de artistas do pós-Independência, António “Thó Simões” nascido em 1973, na terra da Palanca Negra Gigante, (Malanje), iniciou-se nas artes na União dos Artistas Plásticos de Angola (UNAP) e posteriormente no Instituto de Formação Artística e Cultural (INFAC).

Considera-se um pesquisador nato, curioso por natureza. O magnetismo que África e Angola exercem no seu trabalho são inegáveis, tanto quanto os vários lugares que já visitou no mundo. Pinta, faz colagens, cria arte urbana e digital, performance, instalações, filmes e fotografias, mas o seu trabalho “não obedece a uma componente ou tendência que permita identificar, com clareza, um determinado estilo.

Para exprimir afectos, alterna influências da arte moderna com arte tradicional, étnica Tchokwé, ou de inspiração na tribo Mumuíla, e usa arte abstracta. É visto com frequência nas ruas de Luanda, seja a expôr, a observar ou simplesmente a sorver a vida que flui ao seu redor.

Actualmente abraça projectos de carácter sócio-cultural e ambiental – o graffiti no Elinga Teatro, contra a sua destruição, não deixa ninguém indiferente. Filho da primeira geração de artistas do pósIndependência, o conhecimento e a técnica são essenciais para o Thó Simões, que relembra aqueles tempos difíceis para os jovens artistas que entravam no mundo da arte.

Com os olhos no futuro e as mangas arregaçadas, Thó Simões concluiu o celébre projecto Murais da Leba, em 6000 m2 de parede, nas Províncias do Namíbe e Huíla, englobando artistas angolanos e internacionais, alunos do ensino primário e secundário, na arte urbana.