Ministro italiano volta a responsabilizar a França pela situação na Líbia

O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, afirmou que está disposto a regressar à Trípoli, cenário de combates, e voltou a responsabilizar a França pelo caos na Líbia

‘A Itália deve continuar a ser protagonista do processo de estabilização no Mediterrâneo”, escreveu o líder da extremadireita no Twitter em referência à Líbia. “Estou pessoalmente disposto a correr alguns riscos e retornar em breve”. Salvini também compartilhou na rede social, um vídeo com as suas declarações de Segunda-feira, dirigida a jornalistas: “É evidente que há alguém por trás dos combates actuais. Isto não é um acaso. Receio que alguém, por motivos económicos nacionais, coloque em perigo a estabilidade de todo o Norte da África e consequentemente da Europa”. “Penso que alguém foi à guerra quando não devia fazê-lo. Alguém que fixa as datas para celebrar eleições sem avisar os seus aliados, a ONU e os líbios”, considerou. Os jornalistas questionaram o ministro, que não aceita a entrada de imigrantes nos portos italianos, se a Líbia é um local seguro para o desembarque de pessoas resgatadas no mar e Salvini respondeu: “Pergunte a Paris”.

Na Segunda-feira, a ministra italiana da Defesa, Elisabetta Trenta, também “responsabilizou” a França, dado o seu papel na intervenção militar internacional contra o regime de Muamar Khadafi em 2011. Roma critica regularmente Paris pelo caos na Líbia, que favoreceu a onda migratória. Trenta e Salvinia descartaram uma intervenção das forças especiais italianas em Tripoli. A Itália tem mais de 300 militares na Líbia, para a protecção de um hospital em Misrata e a sua embaixada em Trípoli. Também fornecem apoio logístico à Guarda Costeira líbia. Trípoli enfrenta uma situação complexa com combates no Sul do país, em que intervêm várias milícias e as forças afectas ao Governo de Unidade Nacional, reconhecido pela comunidade internacional e com sede na capital líbia.