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General Ben Ben vai a enterrar Sábado no Andulo (Bié)

Será enterrado ao lado dos seus avós Loth Malheiro e Helena Mbundo, pais de Jonas Savimbi, o fundador da UNITA, no cemitério da família, na aldeia de Lopitanga, no Andulo

Texto de: Ireneu Mujoco

Os restos mortais do general Arlindo Chenda Pena “Ben Ben”, antigo vice-chefe de Estado-Maior das Forças Armadas Angolanas (FAA), chegaram ontem a Luanda, provenientes da África do Sul Para a recepção do corpo de Ben Ben, falecido a 28 de Outubro de 1998, por doença, na África do Sul, esteve o Chefe da Segurança da Casa Militar do Presidente da República, general Pedro Sebastião, num acto presenciado por familiares e membros da direcção da UNITA liderados por Isaías Samakuva.

O avião, um antonov-72, que transportou a urna do general Ben Ben aterrou na Base Aérea de Luanda às 16 horas e 30 minutos, tendo esta seguido para o Quartel do Exército, de onde partirá hoje para o município do Andulo (Bié), sua terra natal. Kassiki Pena, um dos irmãos mais novos do general Ben Ben, em exclusivo a OPAÍS, enalteceu o gesto do Presidente da República, João Lourenço, por ter respondido ao pedido feito pela sua mãe.

Apontou este gesto do Presidente da República como sendo mais um acto de reconciliação nacional. Vinte anos após à morte, o seu irmão terá um funeral condigno à dimensão de um general e dentro das normas e costumes angolanos. Disse ser confortante para a família o gesto do Governo angolano e do Governo sul-africano, e da direcção da UNITA que chegaram a um consenso para que os restos mortais do general Ben Ben fossem sepultados na sua terra natal, como é desejo da família. Informou que, para além deste, há um outro irmão seu, Loth Malheiro, que está também enterrado na Ganda, em Benguela, que precisará de ser exumado e enterrado com dignidade na sua terra natal.

Salupeto Pena

Sobre o sepultamento do engenheiro Salupeto Pena (outro irmão), antigo representante da UNITA na Comissão Conjunta Político-Militar (CCPM), disse tratar-se de um processo e que os familiares desconhecem o paradeiro do seu corpo.

“Nós, como familiares, não sabemos onde está o corpo do nosso ente querido Salupeto, mas creio que a seu tempo o Governo vai se pronunciar”. Reiterou ser um passo importante para a reconciliação dos angolanos que estiveram divididos por divergências ideológicas, realçando que o gesto das autoridades ajudará a enxugar as lágrimas. Deplorou ser difícil para uma mãe, como é a sua, ter perdido três filhos em situações dramáticas e concretizar o enterro de um deles agora neste Sábado.

Gesto de Reconciliação

À semelhança de Kassiki Pena, Maria da Costa, esposa do malogrado general Ben Ben, disse à nossa reportagem que o enterro condigno do seu marido não representava só um consolo para a família, mas um gesto de reconciliação entre os angolanos. Com voz trémula e embargada, em lágrimas e parca em palavras, disse que, apesar de ser um momento de angústia, lágrimas e dor, o enterro do seu esposo vai fortalecer a alma dos seus familares e amigos.

“ Quando ele (Ben Ben) morreu o meu filho mais novo tinha 6 anos, agora tem 25, ele sempre perguntou pelo pai…infelizmente estava morto”, e agora terá a oportunidade de acompanhar o funeral condigno do seu pai. Edgar Pena, um dos filhos do malogrado, que testemunhou a chegada da urna contendo os restos mortais do seu pai, disse que com o enterro do seu progenitor começa-se a cumprir o desejo da família de enterrar todos num mesmo cemitério.

Disse que o momento não era para discursos, mas para render homenagem ao seu pai, que considerou como tendo feito o “bom combate” para a instauração da democracia em Angola.

Reconciliação dos angolanos

Por seu turno, o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Artur Queiroz, afirmou que a transladação dos restos mortais de Ben Ben corresponde à vontade do Presidente da República, João Lourenço, de reconciliar a grande família angolana e reforçar a unidade nacional.

O governante fez estas declarações à imprensa momentos após ter regressado da África do Sul, onde encabeçou a delegação angolana que trabalhou com as autoridades locais para a transladação do corpo para Luanda. Disse que que a transladação é um acto humanitário para com a família do malogrado general Ben Ben, especialmente a sua mãe, Judith Pena, com idade avançada, que manifestou o desejo de assistir ao funeral do filho na sua terra natal, em companhia dos seus familiares e num ambiente cultural e tradicional adequado.

João Lourenço nas homenagens

O Presidente da República e Comandante Em Chefe das Forças Armadas Angolanas, João Lourenço, presta hoje homenagem ao malogrado general Arlindo Chenda Isaac Pena “Ben Ben” no Quartel General do Exército. Segundo o programa das exéquias, nesta Sexta-feira, o velório terá início às 9H00 e terminará às 12H00, altura em que a urna contendo os restos mortais do general Ben Ben partirá para a Base Aérea de Luanda, de onde seguirá de avião para a cidade do Cuito, capital do Bié.

De seguida, a urna será trans
portada para o município do Andulo, onde o general Ben Ben será velado pela família e no dia 15 sepultado na aldeia de Lopitanga. Em Luanda, segundo o programa elaborado pelas FAA, serão ainda prestadas as homenagens dos titulares de órgãos de soberania, dos deputados à Assembleia Nacional, membros do Executivo, dos magistrados judiciais e do Ministério Público, do Ministério da Defesa e das Forças Armadas Angolanas, do Ministério do Interior e da Polícia Nacional , seguindose os antigos combatentes e veteranos da pátria, da sociedade civil e da população em geral.

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