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Inflação continua a descer

Os preços estão a subir menos, com a inflação ainda acima dos 18,5% em Agosto, apesar da depreciação do Kwanza, traduzindo, ao mesmo tempo, a quebra registada no crescimento da economia

Texto de: Luís  Faria

Os preços continuam a descer de uma forma sustentada. A inflação registada em Agosto foi, segundo o relatório mensal do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o índice de preços no consumidor, em comparação com o mesmo mês do ano passado, de 18,56% (em Agosto de 2017 a inflação nacional ainda se situava em 25,18%), descendo a variação mensal pelo quarto mês consecutivo.

O ano arrancou com a inflação em 23,67%, valor apurado em Dezembro, verificando-se assim, até agora, uma descida superior a cinco pontos. A variação mensal dos preços tem registado um ou outro recuo, mas observa-se, desde o início de 2017, uma inversão de marcha na subida dos preços.

Este abrandamento no aumento do custo de vida é tanto mais significativo quanto ocorre paralelamente à depreciação do kwanza, com a adopção, no início do ano, de um novo modelo cambial, em que se admite uma banda de variação para o valor da moeda nacional.

O governado do Banco Nacional de Angola, José de Lima Massano, disse a OPAÍS, num primeiro balanço do novo regime cambial, que ‘haveria que esperar’ pela reposição de stocks para se sentir o efeito que a depreciação, tornando as importações mais caras, teria sobre os preços. Se a descida da inflação traduz o acerto da política seguida nos planos monetário e cambial, reflecte também a desaceleração da economia, que caiu 2,2% no primeiro trimestre deste ano, mesmo assim menos, é certo, que nos últimos três meses de 2017.

O petróleo continua a pesar decisivamente nas contas da economia angolana, mas, apesar da recuperação do preço do barril de crude, que se acercou de USD 80 até a OPEP trazer a público previsões menos favoráveis, a actividade do sector de extracção e refinação contraiu-se 7,3% nos primeiros três meses do ano, a maior quebra a seguir às pescas e ao comércio.
Os ‘culpados do costume’ Os maiores ‘culpados’ pela (cada vez menor, a manter-se a actual tendência) elevação dos preços são os ‘do costume’, com a alimentação e bebidas não alcoólicas à cabeça.

‘A classe alimentação e bebidas não alcoólicas foi a que mais contribuiu para o aumento do nível geral de preços, com 0,55 pontos percentuais durante o mês de Agosto, seguida pelas classes ‘vestuário e calçado’ com 0,14 pontos percentuais, ‘mobiliário, equipamento doméstico e manutenção’ com 0,11 pontos percentuais e ‘bens e serviços diversos’ com 0,10 pontos percentuais. As restantes classes tiveram taxas inferiores a 0,10 pontos percentuais’, precisa o INE.

Quatro dos cinco produtos e serviços que fizeram com que a vida ficasse mais cara em Agosto são produtos nacionais. O carapau fresco ou congelado, as rendas de casa, as consultas médicas e as análises clínicas contribuíram, no seu conjunto, com 1,3 pontos percentuais para o índice de preço no consumidor nacional de Agosto. Entre os 24 produtos cuja contribuição corresponde a 41,29% do total do índice, 10 são nacionais.

A inflação homóloga (que compara a evolução dos preços num determinado mês com igual mês do ano anterior) apurada na província de Luanda, que é a que habitualmente serve de referência à política monetária, situou-se, no último mês, em 18,98%, o que representa um decréscimo de 7,97 pontos percentuais face à observada no mesmo mês de 2017. Luanda iniciou o ano com a inflação em 26,26%.

Também em Luanda, a classe ‘alimentação e bebidas não alcoólicas’ foi a que mais contribuiu para o aumento do nível geral de preços, seguida de ‘vestuário e calçado’, ‘mobiliário, equipamento doméstico e manutenção’ e ‘bens e serviços diversos’. As províncias que registaram maior aumento foram o Bengo com 1,82%, o Cuanza Sul com 1,75%, Malanje com 1,68% e o Uíge com 1,59%. As províncias com menor variação foram a Lunda-Sul com 0,70%, o Namibe com 0,79%, Cabinda com 0,90% e a Huíla com 0,94%.

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