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Benguela está há 3 meses a “cuidar” do seu próprio lixo

A20 de Junho deste ano, as empresas prestadoras de serviço que trabalhavam na recolha dos resíduos sólidos e urbanos na província de Benguela, deixaram de actuar, recolhendo os seus materiais, contentores, espalhados pelas ruas dos municípios do litoral. A ruptura deveu-se à rescisão dos contratos feita pelo Governo Provincial, por ter acumulado uma dívida superior a 40 milhões de dólares americanos. Desde então, as administrações municipais recolhem e transportam o lixo

Texto de: Zuleide de Carvalho

Somando-se ontem, 20 de Setembro, três meses desde que as administrações municipais do litoral foram incumbidas, pelo Governo provincial, de acomodar, recolher, transportar e desfazer-se do lixo em Benguela, os resultados deixam muito a desejar. Ao longo desse período, as mais altas patentes do Estado em Benguela disseram repetidas vezes em público que houve muita gente que enriqueceu com o “negócio do lixo”, que reinou durante mais de uma década.

Contudo, novos “negócios do lixo” vigoram no Quioche, Liro e em dezenas de bairros, pois, há grupos que recolhem o lixo porta à porta cobrando cerca de Kz 200 semanais em cada residência, sem pagarem impostos. Segundo dados do Governo, na zona costeira, envolvendo 4 municípios, produzem-se diariamente 550 toneladas de lixo.

Dividindose pelas milhares de habitações em cada bairro, infere-se que, actualmente, ainda haja alguém a enriquecer com o lixo. Nos tempos menos gloriosos, quando a crise se avizinhava, o Governo provincial acumulou mais de USD 40 milhões de dívida para o com a sua maior parceira na prestação de serviços, a empresa “Vista”.

Durante os últimos anos, no litoral, Baía Farta, Benguela, Catumbela e Lobito, supostamente operavam quatro empresas privadas na recolha do lixo, porém, a dívida total não foi declarada à imprensa nos encontros com o Governo.

Para averiguar estas e outras questões, relacionadas com as estatísticas do desempenho das administrações municipais desde 20 de Junho, OPAÍS remeteu uma carta ao vice-governador para a área, Leopoldo Muhongo, a 20 de Julho. Todavia, os dados solicitados, fazendo menção ao balanço do primeiro mês de actividade, não foram passados a este jornal, apesar do grande interesse público da temática, tendo ontem sido já o marco do terceiro mês.

Assim, não é possível transmitir ao cidadão quanto é que o Governo gastou em 3 meses com as novas metodologias de recolha dos resíduos, nem quantas pessoas trabalham, nem que meios concretos estão em falta. É fundamental mostrar ao cidadão se houve redução na produção do lixo diário, aproximadamente 0,5Kg por pessoa, para medir se as sensibilizações feitas têm surtido efeito, mas este dado também não foi facultado pelo Governo.

Em três meses, as administrações não estão habilitadas para tal tarefa, facto verificável na incapacidade de recolha diária, atempada, nos pontos designados, que acumulam, por dias, lixo nos passeios e mau cheiro nas ruas. A cobrança porta à porta está em uso nas periferias, mas não nas zonas urbanas, tendo o director do gabinete do Urbanismo, Elmano Inácio, dito, recentemente, que a prática desses pequenos colectores tem ajudado.

Num encontro com a sociedade, convocado pelo Governo Provincial de Benguela, ocorrido há três semanas, o vice-governador Leopoldo Muhongo revelou satisfação com o desempenho das administrações, reconhecendo que muito mais há para se fazer.

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