irão promete resposta ‘terrível’ ao Ei por atentado que deixou quase 30 mortos

O presidente iraniano, Hassan rohani, prometeu neste sábado (22) uma resposta “terrível” do seu país, depois do atentado durante uma parada militar que deixou 29 mortos no sudoeste do irão

Classificado de “terrorista” pelas autoridades iranianas, o atentado aconteceu em Ahvaz, capital da província do Juzestão, onde vive uma população de maioria árabe. O grupo Estado Islâmico (EI) assumiu a autoria do ataque. “A resposta da República Islâmica à menor ameaça será terrível”, declarou Rohani, de acordo com um comunicado publicado na sua página oficial on-line.

“Aqueles que dão apoio em matéria de Inteligência e propaganda a esses terroristas terão que responder por isso”, acrescenta a nota. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, acusou um regime estrangeiro apoiado por Washington de estar por atrás do ataque. “Terroristas recrutados, treinados e pagos por um regime estrangeiro atacaram Ahvaz. […] O Irão considera que os promotores regionais do terrorismo e seus mestres americanos são responsáveis por tais ataques”, tuitou Zarif.

Antes disso, os Guardiães da Revolução – o Exército ideológico da República Islâmica – disseram que os agressores estariam ligados a um grupo separatista árabe apoiado “pela Arábia Saudita”. “Até agora, este atentado terrorista deixou 29 mártires e 57 feridos”, anunciou o canal de TV oficial em língua árabe Al-Alam, citando o deputado Mokhtaba Zolnuri, membro da Comissão de Segurança Nacional e Assuntos Exteriores.

“Entre os mártires, há uma criança e um ex-combatente que morreu na sua cadeira de rodas”, declarou o porta-voz das Forças Armadas iranianas, o general de Brigada Abolfazl Shekarshi, à televisão pública. – ‘Alimentados pela Arábia Saudita’ “Dos quatro terroristas, três foram enviados para o inferno no mesmo lugar do ataque, e o quarto, que ficou ferido e foi detido, se uniu a eles no inferno pouco depois, devido à gravidade dos seus ferimentos”, acrescentou esse general dos Guardiães da Revolução.

Citado pela agência de notícias Isna, o vice-governador da província do Juzestão, Ali-Hossein Hoseinzade, disse que um jornalista e “oito, ou nove, militares” estavam entre os mortos. Vários veículos da imprensa iraniana publicaram que os agressores usavam uniforme militar.

“Aqueles que abriram fogo contra o povo e as Forças Armadas estão ligados ao movimento Al-Ahvazieh”, declarou, por sua vez, o porta-voz dos Guardiães da Revolução, Ramezan Sharif, também citado pela Isna. “Estão a ser alimentados pela Arábia Saudita e tentaram ofuscar a potência das Forças Armadas” iranianas, acrescentou.

O atentado aconteceu no dia da parada militar para relembrar o início, por parte de Bagdad, do conflito Irão-Iraque (1980-1988) e da resistência da “defesa sagrada” iraniana durante esta “guerra imposta” – segundo os termos oficiais. Primeiro chefe de Estado estrangeiro a reagir ao ataque, o presidente russo, Vladimir Putin, disse estar “horrorizado” e apresentou os seus pêsames ao colega Rohani, de acordo com o Kremlin.

“Isso nos recorda da necessidade de uma batalha sem trégua contra o terrorismo em todas as suas formas”, disse Putin, um aliado, junto com o Irão, do governo sírio de Bashar al-Assad. O Ministério sírio das Relações Exteriores condenou o atentado “nos termos mais duros”. A chancelaria turca condenou, por sua vez, “um ataque terrorista abominável”.

O Juzestão foi uma das províncias iranianas mais afectadas pelos combates durante a guerra Irão-Iraque. O então líder iraquiano, Saddam Hussein, acreditava que a população árabe da região receberia os seus soldados como libertadores, mas esta se mostrou fiel ao Irão no geral.