Fim do programa Angola Investe prejudica empresários

O encerramento do programa Angola Investe deixou muitos empresários no prejuízo e sem crédito para dar continuidades aos negócios

Texto de: Patrícia de Oliveira

O Governo decidiu pôr fim ao Programa Angola Investe que, nos últimos quatro anos, concedeu, através da banca comercial, 120 mil milhões de Kwanzas (361,5 milhões de euros) para financiar 515 projectos. Para o presidente da Confederação Empresarial de Angola (CEIA), Francisco Viana, é um “ duro golpe” para o empresariado, porque milhares ficaram sem crédito.

Na opinião do empresário, deveria ser feito um relatório para saber o que correu mal, se tem a ver com o tráfico de influências e com o crédito mal parado e não acabar com o projecto que era um exemplo de programa nacional. Segundo ele, em diálogo com a equipa económica no sentido de melhorar o programa Angola Investe, com a implementação do “Angola Investe +”, nomeadamente reforçar o fundo de garantias para os empresários na ordem dos 70%. Por outro lado, melhorar o pagamento efectuado aos bancos privados para ter a possibilidade de dar juros bonificados, que são os 7%.

Explica ainda que, o empresariado tinha juros bonificados de 7%, tinha o fundo de garantia e poderia trabalhar para obter créditos e quando se retira, o empresariado fica sem apoio para as garantias reais e com juros da banca que estão próximos dos 30%. “Para o empresário angolano, a economia nacional não tem crédito e havia uma promessa de avançar com um outro programa denominado “Angola Investe +” e o Governo recuou e está a prometer que irá resolver o problema”, frisou.

A mesma opinião defende o Presidente da cintura verde de Luanda, Mito da Silva, que refere que o encerramento do programa deixou os empresários sem uma direcção exacta.

Durante este período, os agricultores deparam-se com calamidades naturais, estiagem e falta de importação de sementes, soja e outras matérias-primas. A sua inquietação tem a ver com o crédito efectuado para o programa Angola Investe com o apoio de 5% do Governo, questionandose como ficam os produtores que ainda não terminaram de pagar, quem irá assumir a outra parte. Segundo o empresário, o crédito destinado ao programa começou em 2013 e um ano depois não havia importações por falta de divisas, deste modo não cumpriu com o objectivo inicial.

Em sua opinião, deveria haver uma amnistia para o programa “Angola Investe”. Por outro lado, muitas empresas agrícolas faliram com um crédito para pagar ao Banco. Por sua vez, o vice presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), Jorge Pinto, referiu que o programa era uma falácia, porque não tinha garantias reais.

“Os camponeses não têm imóveis registados nem estruturas de terra e a garantia dos bens adquiridos é uma dívida por pagar, nunca foi estruturada para o investimento do país”, ressaltou. No seu entender, os empresários que utilizaram o crédito do programa Angola Investe são aqueles que já possuíam dinheiro e foram buscar mais. Para ele, os camponeses que encontram-se nesta situação podem fazer uma auditoria para saber aonde foi aplicado o dinheiro e actuar com flexibilidade.

Investimentos às micros, pequenas e médias empresas

O Angola Investe foi criado em 2012 e visava o apoio e financiamento de projectos de investimentos às micros, pequenas e médias empresas, operado por bancos comerciais e coordenado pelo Ministério da Economia, com a parceria do Fundo de garantia de crédito. Incluía também, nas metas, a criação de 300 mil postos de trabalho e 9 mil empresas até 2017.