Professores fogem da Barra do Cuanza

A pretensão dos responsáveis da referida localidade é ver empregados nos sectores da educação alguns cidadãos residentes, a fim de evitar o comprometimento do ano lectivo

Texto de: Alberto Bambi

A administradora adjunta para o sector económico e social do distrito da Barra do Cuanza, município de Belas, em Luanda, Josefa Pires Afonso, lamenta o facto de professores enquadrados pelo Ministério da Educação destacados nessa localidade estarem a abandonar paulatinamente o seu posto de trabalho. “Isso já se passou com os antigos efectivos que chegaram aqui com as suas guias de marcha, ficaram uma ou duas semanas, ou mesmo um mês, depois levaram o mesmo documento e foram colocar- se noutras escolas, por via de esquemas ou de outros critérios”, revelou a administradora, tendo informado que o problema se estende até aos bairros do Kididi, Wakongo, Tombo, Miradouro da Lua e outros da zona costeira sul da Capital.

Josefa Afonso não acredita que o novo contingente, composto de 20 professores enviados este ano para a Barra do Cuanza, venham a cumprir com o compromisso a que se submeteram, porque não vivem aqui, não têm transporte, além de enfrentarem outras situações sociais. Por causa disso, ela é de opinião que, para servir a comuna que dirige, se contrate pessoal local, através de um levantamento prévio na administração que ajude a verificar se há cidadãos residentes qualificados para tal.

Lembrou que, antes de os referidos docentes entrarem em cena, as vagas de ensino, na localidade, eram ocupadass por educadores residentes que leccionaram durante muito tempo, sob pretexto de serem efectivados, no quadro das necessidades locais, mas nenhum deles requeridospela administração local.

“É lamentável que os que sempre aguentaram as dificuldades da comuna tenham ficado de fora, em detrimento dos forasteiros. Não deve espantar-nos se estes trabalhadores vierem a abandonar também a escola”, queixou-se, tendo realçado que, quando isso acontecer, serão os professores deixados de fora que vão compensar as faltas.

Outra situação que inquieta o seu pelouro tem a ver com as distâncias que as crianças de outros bairros percorrem para chegar à escola da Barra do Cuanza, o único local da comuna onde existe uma instituição escolar do ensino secundário do II Ciclo. Aliás, no que toca ao sector, a administradora gostava de ver construídos nos bairros mais distantes da sede da comuna estabelecimentos do ensino do I Ciclo, onde as crianças pudessem frequentar classes entre a 7ª e 9ª. “Entretanto, queríamos mesmo ter pelo menos uma escola do ensino médio aqui na Barra do Cuanza, porque os adolescentes e jovens da localidade estudam no Benfica e Ramiro e a maior parte deles frequenta as aulas no período nocturno”, detalhou

Autocarros minimizam caminhadas dos alunos

As caminhadas diárias efectuadas principalmente por crianças de menos de 14 anos de idade também marcaram com alguma tristeza a nova liderança da Barra do Cuanza, ao ponto de se ter movido rapidamente para contactos com operadoras de transportes, a fim de minimizar a situação dos pequenos estudantes. “Como a comunidade não possuía transporte público, nós encetámos um contacto com os Transportes Colectivos e Urbanos de Luanda (TCU L), que, rapidamente, nos enviaram dois autocarros só para fazer o percurso Benfica – Barra do Cuanza e parar mesmo aqui defronte à administração”, salientou Josefa Pires Afonso.

Para a entrevistada, segundo a qual esses serviços vieram facilitar a situação dos alunos que vivem fora da sede da comuna, o autocarro parte do Benfica às seis horas e chega à sede por volta das nove, voltando a sair do bairro perto das 12 horas, quando os estudantes do período da manhã estão a sair da escola.

“O último turno acontece das 17 às 19”, assegurou a administradora que, mesmo com essa agenda de circulação, tem vindo a registar a presença de algumas crianças que perdem o transporte. Quando as encontra algures na orla da Estrada Número 100 a caminharem para a escola, esforça- se para levá-las na sua carrinha, uma acção que ela desejava ver prestada por outros trabalhadores, para não ouvir um dia que uma criança saíu de casa e desapareceu a caminho da escola

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