PSDB e PP declaram neutralidade na segunda volta; PSB apoia Haddad

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e o Partido Progressista (PP), da coligação do governo de Michel Temer, se declararam neutros para a segunda volta, a 28 de Outubro, da eleição presidencial entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

“O PSDB decidiu liberar os seus militantes e seus líderes para que decidam de acordo com a sua consciência numa posição coerente. Não apoiaremos nem o PT, nem o candidato Bolsonaro”, disse nesta Terça-feira (9) o ex-candidato à Presidência Geraldo Alckmin, que obteve no primeiro turno, no Domingo, 4,76% dos votos contra 46% para Bolsonaro e 29% para Haddad. “O partido não apoia nem um, nem outro (…) O eleitor é que vai escolher”, reforçou o ex-governador de São Paulo ao final de uma reunião da direcção do PSDB, em Brasília.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), um dos fundadores do partido, não esteve presente no encontro. Na véspera, ele disse ao jornal O Globo que nenhum dos dois candidatos lhe agrada, mas que Bolsonaro está fora de questão. No entanto, o candidato tucano ao governo de São Paulo, João Doria, declarou apoio a Bolsonaro, por considerar que o PT de Haddad assaltou o Brasil durante os governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016). Consultado sobre as declarações do candidato a sucedê-lo, Alckmin disse que as divergências são normais e evitou fazer comentários. Também declararam neutralidade o Partido Progressista (PP) e o partido Novo, do candidato João Amoêdo.

O “Progressistas adotará uma postura de absoluta isenção e neutralidade na segunda volta das eleições presidenciais. Faz convicto de que essa é a melhor contribuição que pode oferecer ao debate”, informou o partido em comunicado. O PP, aliado de todos os últimos governos, de esquerda ou de direita, é um dos partidos mais atingidos pela Operação Lava Jato. Na primeira volta deste ano, ficou como a terceira maior bancada da Câmara, com 37 deputados, frente aos 54 na legislatura anterior. Actualmente está dividido. A senadora Ana Amélia Lemos, que foi candidata à vice-presidência na lista de Geraldo Alckmin (4,76% dos votos), pediu votos para Bolsonaro, assim como o PP no Rio Grande do Sul. Já o Novo, de Amoêdo (2,50% dos votos), deixou claro que vê o PT como seu principal adversário, apesar da declarada neutralidade. “O Novo não apoiará nenhum candidato à Presidência, mas somos absolutamente contrários ao PT, que tem ideias e práticas opostas às nossas”, afirmou.

PSB e PSOL apoiam Haddad

Mais cedo, o Partido Socialista Brasileiro (PSB), que conquistou dois governos no Domingo, anunciou o seu apoio a Haddad e propôs ao PT a formação de uma “frente democrática” a fim de impedir a chegada ao poder de um admirador da ditadura militar”. Somou-se, assim, ao candidato Guilherme Boulos, do PSOL (0,58% dos votos), que declarou apoio ao candidato do PT no Domingo através das redes sociais. O apoio mais expressivo a Haddad deverá vir, no entanto, do pedetista Ciro Gomes (12,47%), que afirmou após a eleição a sua prioridade seria “lutar pela democracia e contra o fascismo”. Marina Silva (1%) afirmou no Domingo que fará oposição a qualquer um que seja eleito presidente, mas seu partido Rede discute sua posição para o segundo turno.