Discurso do PR divide opiniões da Oposição

CASA-ce, UNITA, fNLA e PRS dizem que esperavam do Presidente da República, João Lourenço, um discurso à Nação mais esclarecedor, sobretudo em relação à dívida pública anterior com a China.

Os líderes dos partidos na Oposição com assento parlamentar classificaram o discurso do Presidente da República sobre o Estado da Nação pouco substancial e com alguns indicadores negativos. Abel Chivukuvuku, presidente da CASA- CE, convidado a fazer um balanço da actual governação, disse ser prematuro, justificando que foi um ano difícil no que diz respeito à afirmação da autoridade da nova governação. “Foi um ano de aprendizado e de luta contra a corrupção”, disse, tendo reconhecido existir um caminho ainda longo a percorrer nesta luta contra a corrupção. Apesar de haver alguns avanços na governação do novo Presidente da República, Chivukuvuku disse que a degradação do tecido social continua, sobretudo com a depreciação da moeda nacional e o congelamento dos salários da função pública. Quanto às eleições autárquicas, Abel Chivukuvuku entende que o Presidente da República acaba de admitir uma incapacidade do Governo, por ter reduzido o plano da sua implementação, mas que o modelo manteve-se.

Dívida pública

Já o deputado da UNITA Rafael Massanga Savimbi esperava por um discurso mais esclarecedor, sobretudo quanto à dívida pública anterior com o gigante asiático, a China. Em relação às novas linhas de crédito, o político entende serem importantes para o país, mas que pecam por não serem divulgados os valores anteriores para que se tenha uma percepção real de quanto o país deve.

Discurso positivo

Por seu turno, o líder do Partido de Renovação Social (PRS), Benedito Daniel, considerou positivo o discurso do PR por ter tocado em todos os sectores do país. O político apontou o facto de terem sido explicadas as recentes dívidas contraídas no exterior como positivo, uma vez que, para além de espelhar maior transparência, poderá ajudar a resolver os problemas das populações.

combate à corrupção

O líder da FNLA, Lucas Ngonda, é de opinião que o combate à corrupção passa por ser responsabilidade de uma autoridade moral. Para si, com a criação desta autoridade moral, é que se poderá acabar com os crimes de “colarinho branco”, com a intervenção da Procuradoria Geral da República(PGR).Ngonda considerou o discurso de João Lourenço como sendo “vazio”, justificando que não correspondeu às expectativas dos cidadãos, um ano depois de assumir a governação do país.