Mas aqui casam, ya!

Hoje é Sábado, dia de casórios, que está a voltar a ser mesmo o tal dia, agora, com os apertos financeiros, depois de no tempo da bonança o pessoal ter começado a casar-se já na Quinta-feira para ter mais dias de boda. Porém, ainda ontem dei com um desfile de casamento, pim, pim , pim, como noutros tempos. Os piscas dos carros ligados. E eram apenas dez horas da manhã. Fiquei a pensar sobre onde iriam parar para as tradicionais fotografias ao lado de uma palmeira cambuta para parecer um jardim verdejante. É assim mesmo, há que ajeitar o cenário porque de verde Luanda tem nada, é a pior capital da África Austral neste aspecto, como reconhece o seu próprio governador. Mas também está na moda tirar fotografias diante da montra de uma loja qualquer, venda ela fogões ou roupa, com manequins brancos, carecas e já previamente posados e arranjados. E reparei no carro dos noivos, estava eu na Estada de Camama, já perto do cemitério, abri-me numa gargalhada. Foi sem querer, mas não me pude conter. O carro todo arranjado, com as matrículas cobertas por panos, assim como a marca. Nos puxadores das portas havia lacinhos de cetim e flores. O interior todo branco, amolfadado, incluindo o tablier, todo forrado. E tinha flores também. Espero que o casal seja feliz, mas aquilo, naquela estrada do cemitério, pareceu- me um caixão. Não vi sorrisos nos noivos. Ontem fez sentido o termo enforcamento para o casamento.

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