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Cerangola no Lobito quer produtores de trigo associados em cooperativas

Pequenos e médios produtores de trigo em vários pontos do país têm de estar associados através de cooperativas, como solução para conseguirem atingir níveis de produção à altura das necessidades internas, defendeu ontem, o administrador da empresa de cereais de Angola “Cerangola”, Ecumbi David.

Citado pela Angop, a propósito da produção de trigo no país, o responsável admite que a formação de novas cooperativas de produtores é um dos caminhos mais viáveis para que os pequenos e médios agricultores consigam abastecer o mercado nacional. Para Ecumbi David, a produção nacional ainda não tem capacidade para abastecer as três grandes fábricas de farinha de trigo do país, nomeadamente a Cerangola, no Lobito, a Grandes Moagens e a Kianda, em Luanda. “Só a Grandes Moagens precisa de 1200 toneladas de trigo por dia para trabalhar, a Kianda 500 toneladas e a Cerangola 130”, reforçou, notando que os camponeses angolanos estão longe de satisfazer essa procura, ou seja, produzir em quantidade e qualidade suficientes para essas unidades fabris. Daí que Ecumbi David tenha alertado para a importância do fomento de cooperativas para diminuir as dificuldades dos produtores e ainda obter vantagens na comercialização em escala, isto é, produzir trigo para fins industriais.

“Os produtores de trigo no país deveriam juntar-se em cooperativas para atingir níveis industriais à altura das necessidades nacionais”, insiste. E revela: “A Cerangola pretende, no futuro, produzir também ração e bolachas, no âmbito do seu plano de investimentos”. Ecumbi David afirmou, no entanto, que a fábrica de farinha não pode processar quantidades de trigo abaixo da sua capacidade, como as cinquenta toneladas de trigo que, por falta de mercado, estão em estado de deterioração no Chitembo, município da província do Bié.

“Essas 50 toneladas são insuficientes para “cobrir meio-dia de trabalho” na fábrica de farinha da Cerangola “, realçou, considerando a capacidade efectiva instalada de 130 toneladas por dia. A segunda razão, além da produção diminuta, prende-se com o facto de ser esse o tipo de trigo utilizado geralmente para ração animal, sendo que o seu cultivo é feito com base na rotatividade dos solos, aclarou o administrador da Cerangola. Explica que, para  rinha para pão, o trigo deve ter qualidade. Exemplo disso, é “o trigo duro do inverno” que a empresa angolana comprava nos Estados Unidos da América, através da firma U.S. Wheat Associates.

Questionado ainda sobre o mo-produzir farinha para pão, o trigo deve ter qualidade. Exemplo disso, é “o trigo duro do inverno” que a empresa angolana comprava nos Estados Unidos da América, através da firma U.S. Wheat Associates. Questionado ainda sobre o motivo da paralisação da fábrica da Cerangola, atribui a situação à actual situação económica que o país atravessa, o que impossibilita a aquisição de divisas para a compra de matéria-prima no exterior.

A Cerangola espera pela estabilização económica do país para enquadrar 450 trabalhadores que deverão cobrir os turnos da manhã, tarde e noite da fábrica, que pretende trabalhar ininterruptamente, excepto algumas horas ao Domingo para manutenção das máquinas. Entretanto, a falta de mercado e de meios para transportar a produção de trigo estão na base da deterioração de mais de 50 toneladas de trigo no Chitembo, no Bié, situação que leva os mais de 150 camponeses das comunas de Cachingues, Mumbuwe, Soma- Kwanza, Mutumbo e Malengue, a ponderar o abandono da actividade.

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