Jacarés aterrorizam moradores da Quissama

O desaparecimento total das vítimas aflige ainda mais os familiares que ficam sem espaço de manobra para realizarem enterros condignos

Texto de: Alberto Bambi

Alguns habitantes das proximidades do rio Longa, sobretudo os de Mumbondo, Caxarandanda, Cabiando e Benvindo, no município de Quiçama, em Luanda, manifestaram a sua preocupação em relação às mortes causadas por jacarés, ao ponto de pretenderem solicitar ajuda das autoridades tradicionais e do Governo para intervirem nesse problema.

“No rio, se você vai lá, anda ou brinca à toa, distraído, o animal chega aí devagar, apanha- te e leva”, contou Domingos Manuel Katola, habitante do bairro Benvindo, tendo detalhado que, normalmente, “o Jacaré vem por trás e te empurra para a água, onde a sua força é maior”. Nesta localidade, o tabu segundo o qual os aligatores atacam mais os forasteiros não se verifica, até porque, segundo o entrevistado, os casos por si testemunhados tiveram como vítimas vizinhos seus. Uma das preocupações dos populares dessas zonas ribeirinhas consiste no facto de os corpos das vítimas do referido reptil não aparecerem para os devidos enterros.

De acordo com os mesmos, as investidas dos jacarés acontecem mais na época em que as águas do rio preenchem zonas que, em tempo seco, ficam isoladas da corrente fluvial, ao ponto de se transformarem em verdadeiros charcos para pesca, irrigação, banhos e captação do líquido para serviços domésticos. Tempos houve em que a comunidade decidiu colocar armadilhas para capturar estes animais para matá-los, mas a força dos mesmos superou a intenção da população que viu as suas emboscadas a serem desfeitas e arrastadas.

Muitas vezes, os residentes cujas casas foram construídas mais próximos do rio Longa, costumam avistar os jacarés, mas, quando isso acontece, estes precipitam-se para a água. Adolfo Africano, do bairro Cabiando, informou que estes animais são muito perigosos porque quando atacam o homem, precipitam-no para a água, onde o afogam com os seus movimentos característicos de imobilização das vítimas. “Estes bichos agarram o teu corpo com os dentes e levamno para um esconderijo secreto e subterrâneo, deixando as famílias sem possibilidade para enterrar o corpo do seu ente querido”, desabafou Adolfo Africano. Recordou que o bicho já matou um neto seu que já era deficiente físico de um dos membros inferiores.

Um sobrinho e um primo, aliás. “Até um dos meus enteados foi capturado enquanto tomava banho no rio”, disse o velho Africano, tendo adiantado que, com excepção do corpo do sobrinho que foi recuperado pelos pescadores e vendedores de pescado, enquanto o predador caminhava com a presa humana numa zona da corrente fluvial de pouca profundidade, os outros até à data desta reportagem não foram encontrados. A realidade da comuna de Mumbondo em relação aos ataques mortíferos dos aligatores costuma encontrar razão nas motivações tradicionais, por isso, nessa localidade, não são poucas as histórias de ataques de crocodilos que foram atribuídas a alguns membros da comunidade