PGR interroga detidos do BNA e da Faculdade de Economia de Benguela

A Procuradoria Geral da República em Benguela começou, desde Segunda- feira, a interrogar os suspeitos de crimes de peculato e branqueamento de capitais cujos mandados de detenção foram executados Quinta-feira, 18, pelo Serviço de Investigação Criminal

Ontem, segundo dia de audição, foram ouvidos Humberto Jardim, chefe da divisão administrativa do BNA, José Nicolau Silvestre, decano da Faculdade de Economia, e um outro funcionário do banco central suspeitos de crimes de peculato e branqueamento de capitais.

Os interrogatórios estão a ser conduzidos pela procuradora Joaquina Pedro que, em cumprimento ao estabelecido na Lei das Medidas Cautelares vai determinar se lhes será aplicada alguma medida de coacção ou não, bem como o tipo de medida, dentro dos prazos, 48 horas.

De acordo com juristas, os interrogatórios têm em vista dois cenários possíveis: liberdade condicional, aguardando o processo em liberdade, ou encaminhamento à penitenciária em regime de prisão preventiva. Humberto Mendes Jardim, que chefiou igualmente a área do património da delegação regional do BNA, que compreende as províncias de Benguela e Cuanza-Sul, é suspeito de envolvimento num esquema de descaminho de verbas nos actos de destruição de notas sem condições de circulação no mercado.Segundo uma fonte deste jornal, esse crime foi cometido há mais de cinco anos, altura em que Benguela funcionou como tesouraria do banco central, quando dezenas de camiões militares circulavam recheados de kwanzas.

Com ele, foi detido um outro funcionário sénior do BNA, suspeito da mesma prática. Os dois funcionários bancários estão a ser defendidos por dois conhecidos juristas da praça benguelense, designadamente Domingos Tchipilica Eduardo e Francisco Viena. Já José Nicolau Silvestre, até à data da sua detenção decano da Faculdade de Economia, unidade orgânica da Universidade Katyavala Bwila (UKB), está a ser acusado de, alegadamente, ter praticado o crime de peculato. Essa acusação remonta ao ano 2010. José Nicolau está a ser patrocinado judicialmente por uma equipa do escritório de advocacia Bruno Castro e Associados.

Na Segunda-feira, a audição aos suspeitos, que começou às 9horas da manhã, prolongou-se quase o dia todo. Até às 17h30 horas, altura em que a nossa reportagem esteve à porta da PGR, não tinha terminado. Até à altura em que expedíamos esta reportagem, os suspeitos continuavam a ser ouvidos, pelo que se configurou impossível entrevistar os advogados de defesa.

Os processos e os arguidos No processo movido contra Nicolau Silvestre, de 57 anos, está também arrolado Diamantino José Rafael, de 49 anos, funcionário da mesma universidade. Já Humberto Mendes Jardim, de 53 anos, e Paulino António da Silva, de 68 anos, funcionários da delegação local do Banco Nacional de Angola, foram constituídos arguidos no processo-crime 2750/SIC/2015.

Ao passo que Borges Venâncio dos Santos, 49 anos, e Mateus Lopes Quissongo, de 55 anos, funcionários do Hospital Geral de Benguela (HGB), foram detidos no mesmo dia em cumprimento a uma ordem de detenção provisória emitida pela PGR, com base no processo-crime número 2338/SIC/2010. Este processo tem ainda como arguida a malograda Rosa Maria Coutinho Varela Pinto.

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