médicos, coração e tostões

Quando perguntamos a uma criança sobre o que quer ser no futuro, se ela escolher a profi ssão de médico(a), normalmente justifi ca-a com amor. Quer salvar as crianças que sofrem, ou quer curar a doença da avó. Nunca dirá que quer ser rica ou ganhar muito dinheiro.

Por: José Kaliengue

A medicina e o professorado são profi ssões do amor, transformam vidas, salvam pessoas e constroem um mundo novo todos os dias, que nasce em cada sorriso resgatado. Porque têm como objecto de trabalho o ser humano. Todo o ser humano. Onde quer que esteja, de que classe, raça ou credo for.

O concurso público de admissão de médicos, porém, está a mostrar que não é o amor que move os nossos profi ssionais, nem mesmo os recém- licenciados. Isto é assustador. Eles concorreram quase todos para uma vaga em Luanda.

O resto do país não lhes interessa, por, alegadamente, nas outras províncias não haver “condições”. Estou assustado, ou são meio-imbecilizados, ou estão presos à ideia de fazer dinheiro em Luanda (alguns matando até). Ora, as condições para médicos de vocação estão lá, no interior, são muitas.

“Condições”, para médicos de verdade, com alma, deveriam signifi – car uma coisa apenas: pessoas necessitadas do seu saber para viver. Por outro lado, é triste perceber que a nossa juventude universitária não sabe o que signifi ca verdadeiramente qualidade de vida!

Trocar Moçâmedes ou o Huambo, ou ainda o Cuito por Luanda, só por causa de uns tostões a mais que custam não dormir, poluição sonora e ambiental e concorrência selvagem… só visto!

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