Ingrid Betancourt pede que as Farc compensem vítimas na Colómbia

A ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt, sequestrada durante seis anos pelas Farc, exigiu nesta Quarta-feira (24) à dissolvida guerrilha que compense as suas vítimas, durante uma declaração ante o sistema de justiça surgido do acordo de paz na Colómbia.

‘Devem ser sentença s que façam um paralelo a tudo o que eles destruíram”, disse aos juízes da Jurisdição Especial para a Paz (JEP) numa vídeo-conferência de Paris. Precisam ser “actos concretos que signifiquem para eles, de verdade, uma tomada de consciência e uma verdadeira recapacitação pelo dano que fizeram”, acrescentou num emocionante relato de mais de duas horas, ante os magistrados do sistema encarregado de julgar os crimes ocorridos durante o conflito armado no país. Betancourt, que em várias ocasiões disse ter perdoado os seus sequestradores, assinalou que os rebeldes poderiam construir “com as próprias mãos” as casas das pessoas que perderam seus lares por culpa das acções armadas.

Mas reconheceu não saber como poderiam ressarcir o dano causado às famílias dos sequestrados. “O que eles podem fazer para devolver o tempo que tomaram de nós? (…) Não tenho uma resposta. A única coisa que eu sei é que têm que fazer acções prolongadas, um esforço e um compromisso, um desprendimento para eles”, afirmou. Desde Segunda-feira, os magistrados começaram a ouvir reconhecidos políticos e militares que estiveram no poder da outrora guerrilha comunista para esclarecer as responsabilidades dos comandos rebeldes nesses crimes. Não obstante, Betancourt confiou na capacidade dos ex-combatentes “de mudar”. “Temos que acreditar que há em nós um espírito que nos permite ser melhores do que somos.

E assim como acho isso de mim, as Farc também têm esse benefício”, assinalou. A ex-candidata à Presidência foi sequestrada em 23 de Fevereiro de 2002 pelas Farc numa área florestal do sul da Colómbia e resgatada em 2008 junto com outros 14 reféns numa operação militar de grande repercussão. Após a sua libertação, deixou o país e se radicou na Europa. De lá, apoiou o acordo de paz assinado pelo ex-presidente Juan Manuel Santos. Os líderes do agora partido Força Alternativa Revolucionária do Comum (Farc) pediram várias vezes perdão pelos crimes cometidos durante o seu levante armado, entre eles pelo sequestro, um dos mais repudiados pelos colombianos. A esta jurisdição já compareceram também, em etapas iniciais, líderes das Farc e alguns militares.

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