O futuro lá atrás

Rui Pinto de Andrade, o governador da província de Benguela e também primeiro secretário do seu partido lá por aqueles lados, é um jovem político com militância conhecida desde a JMPLA. No secretariado do Bureau Político, órgão permanente de direcção política, chegou a porta-voz, comandando a importante Direcção de Informação e Propaganda. Portanto, é um homem com experiência política suficiente, até porque no seu percurso na sede do partido conviveu com militantes mais velhos e deles terá absorvido conhecimentos a que muita gente gostaria de ter acesso. Benguela é uma província difícil de dirigir, e cada vez mais se nota que não o é tanto pela pujança e sentido crítico e criativo das suas gentes, mas sobretudo pelo “caranguejismo” da suas elite que, queiramos ou não, com muitas oportunidades que teve, não se mostrou ainda produtiva e impulsionadora do desenvolvimento do território. Não é caso único, aliás, as elites emergentes ou subitamente emergidas de todas as províncias revelaram-se mais parasitárias do que galvanizadoras. É o mal do clientelismo político. Voltemos a Rui Falcão, que, pelos vistos, encontrou a fórmula para lidar com Benguela: basta falar mal do passado, ainda que nele tenha as impressões digitais de correligionário silencioso. Mas Falcão, até porque tem funções governativas há pouco tempo, tem as suas virtudes intactas, o que lhe permite atirar aos ladrões do passado, seus partidários. Mas isso é lá entre eles, os dirigentes do MPLA, o que me preocupa é a fórmula de se buscar o futuro no passado um ano depois de novo Governo. Eu acho que Benguela e Angola já precisam de palavras viradas para um futuro verdadeiro.