Angola forma 25 pós-graduados em banco de leite

Este é um dos passos determinantes para a criação do banco de leite materno no país, com vista a reduzir a taxa de desnutrição crónica, leve e moderada em crianças menores de cinco anos que atingiu os 38 por cento, de acordo com dados do Ministério da Saúde

Texto de: Stella Cambamba

Vinte e cinco técnicos de Saúde angolanos, com grau de licenciado, poderão participar no curso de pós-graduação em banco de leite que será ministrado por especialistas brasileiros, em sistema semi-presencial, revelou a OPAÍS a coordenadora do núcleo de Banco de Leite da Maternidade Lucrécia Paim, Elisa Gaspar.

A formação, cujas inscrições encerram no próximo dia 15, está repartida em duas partes. Uma será feita online e outra presencial, com uma equipa de especialistas brasileiros que se deslocará ao nosso país.

A decisão para a realização da mesma saiu da última reunião das entidades promotoras dos bancos de leite da Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

Na ocasião, foi orientado a abertura de três turmas com 25 alunos cada, para Angola, Cabo-Verde e Moçambique. Para além do grau de licenciatura, os candidatos devem estar ligados ao sector de saúde, trabalhar em unidades sanitárias do ramo materno-infantil e ter domínio de informática.

Um dos grandes obstáculos tem sido encontrar candidatos que dominem a última exigência, segundo informações apuradas por este jornal “Infelizmente os potenciais candidatos não dominam informática e nem e-mail têm. Por esse facto, estamos a encontrar dificuldades.

Poucas pessoas estão a se candidatar”, frisou. A fonte acrescentou que, “como o curso é online, as pessoas devem aderir às plataformas para terem acesso aos módulos, estudarem e responderem”.

A médica pediátrica neo-natalogista explicou que a formação teórica decorrerá em dois meses, à distância, e as aulas práticas serão administradas também em igual período de tempo. Provavelmente, a formação começará na segunda quinzena deste mês de Novembro.

Para que não ocorram sobressaltos, a parte angolana está a reunir as condições técnicas para que no final da formação teórica comecem já a recolher o leite materno.

Deste modo, as aulas práticas serão feitas com o leite humano, dando início ao processo necessário para a doação. Elisa Gaspar explicou que todas as instituições materno-infantis que enviarem os seus técnicos, para além destes receberem a formação, deverão tornar-se colaboradores, passando a contar com um posto de recolha de leite materno de onde será enviado para a unidade central, na Maternidade Lucrécia Paim.

Os pós-graduados terão a incumbência de formar os técnicos das suas instituições, de forma a disseminar os conhecimentos sobre tais práticas que têm ajudado milhares de mulheres no mundo que, por algum motivo, veem-se na impossibilidade de amamentar os seus bebés. Segundo apuramos, entre os recipientes onde será armazenado o leite estão frascos de vidros de maionese, azeitonas, café, doces, compota, tremoços, frutas em caldas, sem tampas, exceptos os de plásticos, porque poderão ser esterilizados. Por essa razão, a médica apela às pessoas particulares, colectivas e às instituições, em geral, a doarem esses recipientes. A equipa de recolha está instalada no segundo andar da maternidade Lucrécia Paim, em Luanda.

Importância do aleitamento materno

O aleitamento materno é importante para o combate à desnutrição. Ele deve ser feito de forma exclusiva até aos seis meses. Depois dá-se a introdução dos alimentos complementares, desde que saudáveis, continuando o aleitamento materno até aos dois anos de idade.

A situação da desnutrição crónica, leve e moderada em crianças menores de cinco anos no país atingiu os 38 por cento, de acordo com dados do Ministério da Saúde. A criação de um banco de leite pode ajudar no processo de aleitamento e, consequente, combate à desnutrição. Na abertura da semana mundial do aleitamento materno, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, afirmou que se precisa de formar quadros com competências necessárias para que o banco de leite humano seja um facto.

Na ocasião, em Agosto último, a governante apelou aos técnicos do sector a serem optimistas, porque, apesar de grande parte do projecto ser financiado com doações, augurava a instalação do Banco de Leite mesmo ainda no segundo semestre deste ano. “É urgente que se incremente a sensibilização sobre a promoção do aleitamento materno nas unidades sanitárias, nos mercados, nas igrejas, nos mercados, entre os adolescentes e jovens, para que possamos reverter a situação da desnutrição crónica leve e moderada em crianças menores de cinco anos, que é de 38%”, disse a ministra.

 

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