Maior oferta de divisas assegura crédito à economia

Faz um mês que o Banco Nacional de Angola decidiu descentralizar o processo de venda de divisas, abrindo assim uma nova era

A descentralização da venda de divisas do Banco Nacional de Angola (BNA) para os bancos comerciais, iniciada em Outubro último, bem como a oferta quantitativa de cambiais ao mercado formal poderá aumentar a rentabilidade da banca comercial, impulsionando o aumento de concessão de créditos aos agentes económicos. Sobre o assunto, o economista José Lumbo considera o aumento da rentabilidade dos bancos comerciais, com a venda de divisas, como factor decisivo para os clientes obterem maior probabilidade de contraírem créditos bancários, que servem para fazer investimentos ou utilizar no consumo, estimulando a demanda agregada e o crescimento económico do país.

“Trata-se de uma medida satisfatória, por ajudar a descongestionar o mercado cambial, facto que impulsionará o aumento de concessão de crédito à economia”, considerou. Na sua opinião, este facto ocorre pelo facto de as divisas constituírem um dos principais produtos mais comercializados nas instituições bancárias, tendo em conta a escassez vigente no mercado, para compra de bens e serviços no exterior.

“A oferta de quantidade de divisas necessárias ao mercado é uma das fórmulas que se pode utilizar para equiparar a taxa de câmbio formal do mercado paralelo, com vista a reduzir ou minimizar a informalidade cambial. A disponibilização de moedas estrangeiras ao mercado oficial deve corresponder com as necessidades dos agentes económicos, para desencorajar a actividade do paralelo”, defendeu.

Quanto à actual diferença entre a taxa de câmbio do mercado formal e paralelo, que desde Janeiro a Outubro reduziu de 150% para menos de 20%, o economista afirmou que do ponto de vista económico “não existe fórmulas exactas para acabar com o mercado informal de divisas”. Segundo ele, o melhor mecanismo para reduzir ou minimizar a informalidade cambial é fornecer ou disponibilizar as quantidades de divisas necessárias para responder à procura dos agentes económicos

. Importa referir que desde que começou a vigorar o regime de câmbio flutuante (em Janeiro último), o BNA, através das sessões de leilões, detinha o monopólio da venda directa de divisas aos agentes económicos, mas a partir do dia 1 de Outubro devolveu essa responsabilidade aos bancos comerciais, que adquirem moedas estrangeiras no BNA e,por sua vez, vendem ao público.

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