Eleita para o Congresso não tem dinheiro para um apartamento em Washington

Numa entrevista ao The New York Times, Alexandria Ocasio-Cortez partilhou uma preocupação que toca a muita gente: a activista nova-iorquina que na Terça-feira foi eleita para a Câmara dos Representante e tornou-se assim, aos 29 anos, na mulher mais jovem a chegar ao Congresso dos EUA está à espera de receber o primeiro cheque para arrendar um apartamento em Washington. Um problema de finanças que lhe valeu a alcunha de congressista millenial, por o preço da habitação ser um dos desafios que Alexandria partilha com a geração a que pertence.

Mas depressa as palavras da activista, nascida no Bronx, filha de uma porto-riquenha e conhecida pelas posições políticas muito à esquerda, foram criticadas. Um apresentador da FOX News sugeriu que a falta de dinheiro de Alexandria era mentira, uma vez que a futura congressista de Nova Iorque apareceu numa revista com roupas “que custam milhares de dólares”.

Alexandria respondeu via Twitter, explicando que as roupas lhe foram emprestadas para a sessão fotográfica e lamentando que os apresentadores da FOX News gozem com as pessoas que não têm dinheiro para pagar a renda. A activista confessou estar a debater-se com problemas financeiros e apenas a tentar “chegar até Janeiro”.

Palavras que lhe valeram uma chuva de reacções – entre os que compreendem o que ela sente e os que estão a sentir o mesmo. A mulher que trabalhou como empregada em restaurantes declarou rendimentos de 26 500 dólares em 2017. E agora que tem de encontrar alojamento em Washington garante que “o sistema eleitoral americano não foi feito para que pessoas da classe média cheguem ao poder”.

Washington surge na lista das dez cidades mais caras dos EUA. Alugar um simples T1 pode custar mais de 2000 dólares por mês, segundo as cotas da Business Insider.

Filha da empregada de limpeza aos 29 anos, Alexandria Ocasio-Cortez tornou-se na terça-feira na mulher mais jovem a ser eleita para a Câmara dos Representantes dos EUA. Mas em janeiro a millenial pode não se poder mudar para a capital federal por não ganhar para pagar a renda
O sistema eleitoral americano não foi feito para que pessoas da classe média cheguem ao poder”

Filha de uma empregada de limpeza porto-riquenha e de um motorista de autocarro nova-iorquino nascido também no Bronx, foi no entanto numa escola de Yorktown, no condado de Westchester, uma zona de classe alta, que Alexandria estudou. Tudo porque não havia vagas nas escolas do Bronx quando chegou à idade de entrar para a primária. Formada em Economia e Relações Internacionais pela Universidade de Boston, voltou ao Bronx após completar os estudos, tendo servido à mesa e trabalhado num bar para ganhar algum dinheiro.

O salário era essencial para ajudar a família a pagar as contas, depois da morte do pai de Alexandria e com a mãe a manter dois empregos: como empregada doméstica e motorista de autocarro. Ameaçadas pelo banco, a mãe e a avó foram forçadas a vender a casa e a mudarem-se para a Florida. Foi nesse ano que Alexandria começou a trabalhar na campanha de Bernie Sanders, o senador que disputou com Hillary Clinton as primárias democratas de 2016. E foi no veterano Sanders e nas suas posições de esquerda que se terá inspirado.

Em 2017, apesar de ainda estar a pagar os empréstimos de estudante, decidiu candidatar-se contra Crowley nas primárias democratas para governador de Nova Iorque. Apoiada por grupos de esquerda como One Revolution ou Democracy for America, mobilizou o eleitorado e conseguiu mesmo vencer com quase 60% dos votos.