Políticos saúdam 43º aniversário da Independência com “olhos” no desenvolvimento

Todos concordam que o alcance da Independência foi a principal conquista do povo angolano, um bem precioso que deve ser preservado. Oposição lança críticas severas às políticas gizadas pelo Executivo, que pouco ou nada têm surtido efeito na vida do cidadão comum em termos de oportunidades económicas, enquanto o partido no poder reitera o compromisso de trabalhar em prol do desenvolvimento, para o qual defende o envolvimento de todos

Texto de: José Dias

Angola comemora hoje, 11 de Novembro, o 43º aniversário da sua independência do jugo colonial português. Por ocasião da efeméride, actores políticos nacionais convergem na ideia de que, a par da paz, foi a maior conquista dos angolanos, por permitir-lhes ser donos do seu próprio destino. Para o vice-presidente da UNITA, Raúl Danda, é preciso agora que as baterias sejam apontadas para a construção de uma Angola de todos e para todos.

“Eu considero que a Independência é uma coisa muito bonita, mas ela valerá sobretudo pelo impacto positivo que pode ter na vida das nossas populações. É sobretudo para isso e por isso que nós temos de continuar a lutar, de envidar todos os nossos esforços para, de facto, termos um pais igual para todos”, disse em declarações à RNA.

“O que desejamos daqui para a frente é termos um país que olhe para todos os seus filhos de forma igual, que deixe de haver um conjunto de ilhas partidárias, ou seja, uma ilha que é o MPLA, a outra que é a UNITA, outra que são a CASA-CE, PRS APN etc, mas que seja apenas um conjunto formado por angolanos e apenas por angolanos.

Isto é o que nós pretendemos e é para isso que todos temos de lutar”, frisou. Sobre a reconciliação nacional, disse que a igualdade de oportunidades constitui um factor preponderante neste sentido, na medida em que ela só terá peso caso se olhe para todos e sejam dados a todos as mesmas oportunidades .

“Nós não podemos ter uma reconciliação nacional onde uns podem abrir igrejas, fazer partido político ou criar uma associação cívica, mas as oportunidades económicas ficam para outros apenas. Não podemos ter e precisamos de mudar esse paradigma”, sublinhou.

Por seu turno, a vice-presidente do MPLA, Luísa Damião, disse que a Independência constitui o maior ganho dos angolanos e que tem de ser preservada, sendo que para o desenvolvimento do país é necessário o contributo e entrega de todos nas tarefas da reconstrução nacional. “Vamos continuar a trabalhar para responder aos anseios e às aspirações dos angolanos. Precisamos de melhorar as condições de vida dos angolanos.

Temos ainda grandes desafios do ponto de vista da estabilidade macro económica do nosso pais, que é a base para podermos instaurar um clima propício ao crescimento económico e, obviamente, para a geração de empregos e rendimentos”, opinou. Chamou a atenção a todos os angolanos para a necessidade de se empenharem e dar o contributo, onde estiverem colocados, no sentido de o país caminhar para o desenvolvimento e a prosperidade de todos.

“Não temos dúvidas de que a Independência de Angola é uma grande conquista para todos os angolanos. Estamos também a caminhar para uma democracia vibrante, onde cada angolano pode dar o seu verdadeiro contributo”, acrescentou. Para Luisa Damião, é igualmente primordial empreender uma forte campanha no sentido de se moralizar cada vez mais a sociedade, no sentido de cada angolano dar o seu contributo para o desenvolvimento do país aí onde ele for necessário.

Por seu turno, Manuel Fernandes, um dos vice-presidentes da CASA-CE, disse, em declarações a OPAÍS, concordar também que a Independência foi a maior conquista dos angolanos. Defende igualmente ser preciso considerar a bravura de todos aqueles que lutaram para que hoje os angolanos tenham como legado uma terra independente e que sejam donos do seu próprio destino, onde a auto-determinação faz parte já da sua identidade. Lembrou que ao longo deste tempo passou-se por várias vicissitudes, mas que foi possível ultrapassar os conflitos relacionados com o belicismo. Entretanto, disse que o país continua com uma situação difícil, assente nas dificuldades relacionadas com a má situação social da população.

“Um país potencialmente rico, mas composto por míseros cidadãos, um pais bastante rico, em recursos hídricos, terras aráveis e recursos minerais, mas um exímio exportador apenas de matérias-primas”, asseverou. Citou ainda o facto de o país encontrar-se numa situação difícil do ponto de vista macroeconómico, tendo em conta a situação financeira de uma dívida que ronda os 70% do Produto Interno Bruto (PIB).

“A actual liderança está a braços com o problema de poder contornar o grande passivo que encontrou da liderança anterior e também de poder escolher actores políticos capazes de tirar o país da difícil situação em que se encontra, fruto dos vícios e métodos de gestão do passado”, frisou.

A seu ver, há igualmente dificuldades por parte do Executivo face às promessas eleitorais, nomeadamente a questão dos empregos, salários, produção nacional. “Não está a acontecer, pelo menos no primeiro quarto deste mandato, o que os leva a gizar políticas impopulares que se circunscrevem mais no combate aos pobres do que à pobreza, de que é o exemplo a Operação Resgate”, sublinhou.

Cunene acolhe cerimónia central do 11 de Novembro
A província do Cunene acolhe hoje o acto central das comemorações do 43º aniversário da Independência Nacional, que se assinala sob o lema “Unidos na Construção de uma Angola Melhor”. As comemorações vão ser marcadas pela inauguração de vários empreendimentos sócio-económicos, com destaque para uma central de fornecimento de energia eléctrica à vila de Xangongo, no município de Ombadja.

A província do Cunene vai ainda ganhar, até ao dia 20 deste mês, equipamentos sociais como uma escola de 24 salas de aulas, no bairro Caculuvale, arredores de Ondjiva, uma estação de captação e tratamento de água potável na sede do município da Cahama e um centro de saúde na localidade de Omuvandje, município do Cuanhama.

Serão ainda inaugurados um sistema de captação de água na localidade de Mui Naitolo, município do Cuvelai, uma escola primária em Ehafo, Cuanhama, e a Sé Catedral da Igreja Católica, uma infra-estrutura que vem conferir uma imagem moderna ao centro da cidade.

As comemorações reservam ainda outras actividades como torneios de diferentes modalidades desportivas, palestras sobre a história da Independência Nacional, concursos de desenho e de redacção, campanhas de limpeza e um espectáculo músico-cultural.