Réus do caso Beatriz e Jomance ameaças de morte na cadeia

os reclusos dizem que durante a fase do julgamento fizeram chegar esta preocupação, por três ocasiões, à juíza da causa, Isabel Gaspar, que prometeu solucionar o problema, mas até agora não vêem nenhum resultado

Os réus condenados na última Sextafeira, 9, pelo Tribunal Municipal de Viana, a penas que vão dos 4 aos 24 anos de prisão maior, por envolvimento no assassinato da jornalista Beatriz Fernandes e do jovem Jomance Muxito, dizem estar a sofrer ameaças de morte no estabelecimento prisional onde se encontram privados de liberdade.

No fim do último dia de julgamento, o cidadão de nacionalidade francesa Ambrósio Kitoco condenado a uma pena máxima de 24 anos, voltou a levantar esta preocupação, alegando que têm recebido várias ameaças de morte na penitenciária de Comboloca.

O recluso, de 26 anos de idade, por sinal um dos que mais colaborou com a justiça na investigação do caso, disse no tribunal que os agentes penitenciários são os que mais ameaças fazem. Ambrósio, tido como o autor dos três disparos que vitimaram mortalmente Jomance Muxito, voltou a assumir ser ele um dos autores e que está consciente que cometeu o crime.

Segundo ele, as regras internas de Colomboloca não permitem que os reclusos com pena maior estudem, o que vai dificultar-lhe a vida enquanto estiver a cumprir a pena. “Eu tenho que aprender qualquer coisa, porque não quero sair e ir roubar mais. Isso pode aumentar a minha frustração” disse.

Wilson Miranda, de 23 anos, disse que no seu caso a situação não é diferente, tendo acrescentado que um agente chegou mesmo a agredi-lo fisicamente e proferido ameaças de morte no interior do estabelecimento. Segundo ele, a situação é do domínio do director do estabelecimento prisional e por três ocasiões chegaram a reportar o caso à juíza da causa, Isabel Gaspar, que prometera resolver.

Entretanto, sem solução até ao momento. Wilson, que foi condenado com uma pena de 9 anos, referiu que “já me disseram que vou ser envenenado pela comida ou vou ser morto pelos médicos”. Os reclusos dizem que, em virtude das ameaças que têm recebido, evitam ir ao posto médico com receio de que lhes seja feito algum mal.

Troca de ameaças entre familiares e guelord

Depois da sentença, quando os reclusos se dirigiam para as viaturas que os transportariam para a penitenciária, familiares da malograda Beatriz insurgiramse contra o réu Guelord Kilumbo, natural da República Democrática do Congo (RDC), condenado a 24 anos e tido como o cabecilha do grupo. “Guelord vais morrer na cadeia…Guelord vais morrer na cadeia”, diziam.

Guelord, por sua vez, respondia com outra ameaça dizendo: “vou vos acabar vocês todos”. Tudo isso aconteceu no quintal do Tribunal, sob o olhar dos agentes penintenciários, pessoas que assistiram ao julgamento e de alguns jornalistas que ainda não tinham abandonado o local.

Ex- esposo acusa a Polícia

O ex-esposo de Beatriz, José Kipanda, disse que alguns aspectos do crime estão a ser ocultados, alegamente porque estão envolvidos três elementos da Polícia Nacional que não foram chamados a tribunal. Em declaração à imprensa, depois de ser ditada a sentença, José Kipanda disse que o tribunal deveria esclarecer o suposto envolvimento dos agentes que terão ficado com os cartões multicaixa da malograda Beatriz depois de apanharem os réus. Segundo ele, depois de deterem alguns elementos do grupo, estes agentes tê-los-ão solto a troco dos cartões multicaixa.

Importa realçar que Beatriz e Jomance foram assassinados a 26 de Outubro de 2017 no Km 30 em Viana, depois de várias horas de tortura física na presença dos dois filhos menores da molgrada, que também foi violada sexualmente por vários elementos do grupo dos 11 assaltantes. Os médicos legistas afirmaram que o meio que produziu a morte não seria apenas os disparos de arma de fogo, pois ainda que os réus não disparassem contra as vítimas, estas estavam sujeitas à morte pela forma brutal com que foram torturados.

Os réus já estiveram presos e foi aí onde se conheceram, inclusive dois dos deles são irmãos e reuniam-se regularmente para a prática de crimes, pelo que são verdadeiros comparsas.

A família dos malogrados continua a defender a tese de que existe um mandante do crime que está a ser encoberto. O advogado assistente, Hélder Samora, disse que ficou por se esclarecer a real motivação que levou os réus a praticar este crime e vai reunir-se com a família para, em conjunto, decidirem se avançam ou não com um recurso ao Tribunal Supremo dentro dos cinco dias previstos p or lei.