Vencedores do Prémio Nacional de Cultura e Artes satisfeitos com o reconhecimento

Pela primeira vez na história do concurso o Júri atribuiu uma Menção Honrosa a título póstumo, ao professor Jaka Jamba, pelos seus feitos a nível da formação do novo cidadão angolano, agregando ao conhecimento o sentido de alteridade, o respeito e a valorização dos angolanos

Texto de: Antónia Gonçalo

Os vencedores do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2018, laureados na Sextafeira, 9, mostraramse satisfeitos com o reconhecimento, numa gala realizada no Cine Tropical. O poeta Viriato da Cruz, a título póstumo, foi distinguido na categoria de Literatura, enquanto Waldemar Bastos, Kidá, Sakaneno João de Deus, e o grupo Nguizane Tuxikane nas categorias de música, Artes Visuais e Plásticas, Dança e Teatro, respectivamente.

O músico Waldemar Bastos não esteve presente no evento por questões de trabalho, através de uma mensagem mostrou a sua satisfação pelo reconhecimento do trabalho que tem vindo a desenvolver há décadas. “Sublinho, no entanto, que apesar de já ter recebido distinções internacionais de vulto, como o segundo lugar no concurso internacional de Cantores e Compositores World, este prémio, por ser o ex-libris da cultura angolana, tem valor integral e enche-me de orgulho“, lê-se no documento.

O músico agradeceu a Deus, primeiramente, pelo faco de ser o seu grande inspirador. Agradeceu também a ministra da Cultura, Carolina Cerqueira e os distintos membros do júri, pelo reconhecimento da obra, isso sem esquecer todos os angolanos. “Recebo o prémio com redobrado orgulho de ser angolano, neste tempo de uma nova governação que se alicerça na esperança de uma Angola fraterna, solidária e inclusiva de justiça, valores esses que sempre defendi e que deram alma ao meu repertório musical. Daí o sabor muito especial de juntar-me a vós, ao acolher este prémio, neste novo tempo de esperança “, observou o músico.

Teatro

Por sua vez, o director do grupo teatral Nguizane Tuxikane, Agostinho Cassoma, realçou que o reconhecimento do trabalho do colectivo visa compensar os esforços feitos em prol da continuidade da arte, com base na qualidade. O grupo foi consagrado pela qualidade técnica e a reflexão apresentada na obra “Cassinda não volta atrás“.

Agostinho Cassoma referiu que se trata de uma peça em cartaz há 21 anos, facto que considera como marco histórico a nível do teatro nacional. “Mais vale tarde do que nunca. Não se pode trabalhar para prémios.

O prémio deve ser consequência do trabalho. E se, de facto, este ano fomos os escolhidos para ser laureados, é sinal de que afinal, mesmo passado muito tempo, alguém está atento ao nosso trabalho“, enfatizou. O responsável do grupo disse ainda serem poucas as obras que ficam mais de duas décadas em cartaz, motivo pelo qual considerou que a crítica teatral e o conjunto de jurados elevaram-na como um clássico do teatro nacional.

Avançou que a peça retrata os valores do povo ovimbundo, sobretudo, do planalto central, na província do Huambo. Já o professor de dança Sakaneno João de Deus disse que o prémio significou o reconhecimento do seu trabalho, e, ao mesmo tempo, a sua sequência, ao impor mais sacrifício, humildade e profissionalismo. “Primeiro devo agradecer a Deus, em segundo os membros do jurado. Não trabalho para receber prémios, mas digo que nunca é tarde para o nosso trabalho ser honrado”, observou o professor.

Reconhecimento

Foram ainda laureados Misael Filipe de Almeida, à título póstumo, no Cinema e Audiovisuais, Fidel Raul Carmo Reis, em Investigação em Ciências Humanas e Sociais e o programa televisivo “Tudo e Mais”, no Jornalismo Cultural. Quanto aos vencedores a título póstumo, a ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, avançou que no regulamento do Premio Nacional de Cultura e artes está previsto, tendo acrescido que, “na medida do possível, com base no plano de acção do Ministério, as figuras históricas estarão nos programas de apoio a vários projectos, entre eles a reedição e realização de actividades que possam ajudar a informar a nova geração sobre as figuras que muito fizeram pela cultura e a arte do país, e certamente que Viriato da Cruz também terá espaço nestas iniciativas”.

O Júri do Prémio Nacional de Cultura e Artes, edição de 2018, atribuiu este ano, pela primeira vez na história do concurso, uma Menção Honrosa a título póstumo, ao professor Jaka Jamba, pelos seus feitos a nível da formação do novo cidadão angolano, agregando ao conhecimento o sentido de alteridade, o respeito e a valorização dos angolanos e angolanas, enquanto base do desenvolvimento humano e sustentável.

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