França garante apoio no repatriamento de capitais

O embaixador francês garantiu o apoio do Governo do seu país no repatriamento de valores que estejam em França e que tenham saído de forma ilegal de Angola.

Os deputados à Assembleia Nacional procedem hoje, Terça-feira, 13, à discussão e votação na generalidade da proposta de “Lei sobre o Repatriamento Coercivo e Perda Alargada de Bens”. Sylvain Itté, embaixador de França em Angola, garantiu o apoio do Governo francês para o repatriamento de valores que estejam em França e que tenham saído de forma ilegal de Angola. Em declarações à imprensa, à margem da celebração do centenário do fim da Primeira Guerra Mundial, o diplomata disse que França vai colaborar com base em regras internacionais que permitem o processo de identificação dos países que tenham valores saídos de forma ilícita.

“A França está totalmente disposta a ajudar e a colaborar com as autoridades angolanas, para permitir o repatriamento de dinheiro e de fundos”, disse. Acrescentou, não ter noção se, de facto, a França é o país com maior fatia de fundos ilícitos angolanos, mas reiterou, caso sejam identificados, a colaboração eficiente do seu país. “Não sei se é o país onde se colocam mais fundos angolanos, mas se tem, se são identificados e se os elementos permitem este repatriamento, no quadro das leis e acordos internacionais, então, naturalmente a França vai colaborar de uma maneira eficiente e transparente”, disse.

Centenário do fim da 1ª Guerra Mundial

O mundo assinalou Domingo, 11, o centenário do fim da Primeira Guerra Mundial. Ontem, Segunda-feira, no liceu francês Alione Blondin Beye realizou- se uma cerimónia solene do armistício que contou com a presença do embaixador, da directora-geral da instituição e altas individualidades francesas que trabalham em Luanda. “A mensagem de hoje, na frente dos alunos, serve para lembrar e passar a mensagem de paz. Para dizer às jovens gerações que são os responsáveis do futuro e da paz”, disse o embaixador. Sylvain Itté explicou que este tipo de actividades serve para não haver risco de um dia ficar tudo esquecido. A Primeira Guerra Mundial fez cerca de 10 milhões de mortos, dos quais perto de 1,5 milhão eram franceses.

De acordo com o embaixador francês, não existe em França uma família que não tenha um membro que tenha morrido durante o referido conflito, a título de exemplo, disse ter perdido familiares neste conflito. Por este facto, referiu que a comemoração do centenário do fim da Primeira Guerra Mundial serviu para lembrar que a paz é algo frágil e não é definitivo. Para o diplomata, os angolanos entendem o que significa defender a paz, por causa do longo período que o país sofreu com a guerra. A 1ª Guerra Mundial começou a 28 de Julho de 1914 e terminou a 11 de Novembro de 1918. O conflito deixou um rastro de mais de 10 milhões de soldados mortos. Perto de 70 milhões de soldados viveram barricados em trincheiras durante quatro anos.