História sobre Liceu Vieira Dias e Ngola Ritmos à disposição dos leitores

A luta de Liceu Vieira Dias e dos N’gola Ritmos contra as injustiças do regime colonial português é o mote do livro “Ritmos da Luta – o Semba como ferramenta de Libertação”, que chega às bancas, sob a égide da Asas de Papel Editora.

De autoria do dramaturgo Fernando Carlos, o livro “Ritmos da Luta – o Semba como ferramenta de Libertação”, centradas nas figuras de Liceu Vieira Dias e o Conjunto Ngola Ritmos, será publicado esta tarde, a partir das 18 horas, no Camões-Centro Cultural Português. Em declarações a OPAÍS, o autor da obra referiu que se trata de uma obra que surge para homenagear os nacionalistas que estiveram envolvidos na luta anti-colonial de libertação, que veio a culminar com a independência a 11 de Novembro de 1975. O historial sobre as causas que levaram a que se formasse o conjunto, a introdução do violão na música nacional, com o dedilhar do “maestro” Liceu Vieira Dias, ao estilo que veio a designar-se “Semba” estão na base desta obra, com 84 páginas.

Fernando Carlos contou que sentiu-se motivado em retratar o historial, por se ter “apaixonado” pela causa que estes nacionalistas abraçaram. “Eles eram assimilados, ainda assim não se acomodaram com a posição que tinham e lutaram a favor dos indígenas”, apontou. “Liceu, enquanto líder do agrupamento transmitia estrategicamente mensagens de libertação através da música. Como lhe era permitido cantar, o ritmo surge precisamente para não dar a entender os códigos que passam, e ainda em língua Kimbundu”, para depois realçar:

“Diferente do que é o Semba hoje, mais virado para o entretenimento, sem o rigor de uma mensagem, na época os nacionalistas não se preocupavam apenas com o belo que é necessário na arte, mas com o conteúdo e isso para mim é o mais importante”, defendeu. Para o efeito é importante não só para reiterar os feitos de Liceu Vieira Dias e do agrupamento musical N’gola Ritmos, como para que a actual geração conheça a luta, a coragem e a ousadia do Semba, de modo a que com este alicerce se solidifique a liberdade que com a tenaz luta de gerações passadas lutaram para consegui-la.

Outros intervenientes

Fernando Carlos apresenta um livro com cariz humano, emocionante, que incentiva o homem novo angolano a filosofar sobre a história recente e os seus múltiplos heróis, e, acima de tudo, honra e homenageia figuras, não só como Liceu Vieira Dias, como também Mário Pinto de Andrade, Ruy Mingas, Manuel Rui Monteiro, Lourdes Van-Dúnem, Belita Palma, Maria do Carmo Medina e tantos outros.

Dificuldades

O livro começou a ser esboçado em 2015 e só agora ficou concluído. O autor disse ter enfrentado algumas dificuldades, sobretudo no acesso às fontes e fidelização das datas por cada período, bem como a limitação de conteúdos a respeito do percurso destes camaradas da clandestinidade. Entretanto, foi possível serem ultrapassadas à medida que pôde colher depoimentos do nacionalista Amadeu Amorim, único sobrevivente do conjunto Ngola Ritmos, e de Ruy Mingas, sobrinho de Liceu Vieira Dias.

Projecto

Por se tratar de uma obra dramática, fictícia embora apresente relatos reais, será ensinada e adaptada para os palcos pelo autor da mesma, que retrata a história à sua maneira. Por enquanto, sem data ainda para a estreia, este será o fim último do livro como enfatizou Fernando Carlos.

O autor

Fernando Carlos nasceu a 1 de Junho de 1993, em Luanda. É actor, dramaturgo, compositor, slammer, médico-palhaço e contador de estórias. Começou a sua actividade artística aos 13 anos e hoje é um dos artistas a ter em conta para os próximos anos. Enquanto dramaturgo escreveu e adaptou para o teatro peças como: Sonhos de Rua, Issunje, O Ano do Cão, Muxima, Kakulo e Kabassa e A Praça do Conto. Em 2017, consagrou-se campeão de spoken word, no concurso «Luanda Slam».