Finais felizes

Há cenas do cinema que são já corriqueiras. Às vezes até gestos, expressões, palavras. Mas algumas delas até dá gosto voltar a ver, em histórias diferentes, com actores diferentes. Gosto particularmente das cenas de perseguição automóvel, até porque os planos de filmagem são cada vez mais ousados, cada vez mais plasticamente bem conseguidos. De preferência num ecrã gigante, onde as bancadas de venda ambulante sofrem sempre, as flores entram a voar, mas há também os transeuntes que escapam de resvés. E também as escadarias, com carros pequenos a subir, ou, de preferência, a descer, com algumas fagulhas a sair da parte de baixo dos carros. O som que nos afasta do resto do mundo, as cenas que passam a alta velo- cidade, sentimo-nos quase dentro do filme. E há ainda as perseguições em S. Francisco, na Califórnia, em que a câmara filma de baixo para cima e vemos os carros literalmente a voar. Os da Polícia escangalham-se sempre. Tudo isso visto num ecrã gigante, no Huambo, com o som de cinema… as pessoas do Huambo vão voltar, nas salas CINEMAX, a partir de amanhã, a viver estas emoções quase quarenta anos depois das últimas projecções no Planalto. Vai ser um reencontro, para quem tem memória do Ruacaná, do Cine Atlético, Estúdio 404… Cine Ferrovia (Gimno Desportivo), o Cine S. João e outros. Mas se é cinema, tem de ter um final feliz, selado num beijo apaixona- do, de preferência debaixo de chuva miúda, como no Huambo. A magia em que a Cidade Vida entra agora vai, de certeza, despertar muitos amores. Apaguem as luzes.