Falta de controlo dificulta apoio da ANDA aos deficientes físicos

De um total de 53 mil e 914 portadores de deficiência registados pela Associação Nacional dos Deficientes de Angola (ANDA), apenas 24 mil recebem apoio directo. Os demais preferem estar dispersos e ganhar dinheiro nas ruas.

O presidente da ANDA, Silva Etiambulo, disse ontem, em entrevista a OPAIS, que a sua associação não dispõe de meios que possam localizar, com precisão, o paradeiro e o controlo exacto de muitos dos seus associados, porque estes preferem depender do que conseguem nas ruas para a subsistência, pedindo esmolas. Conforme explicou, a maior parte das pessoas com deficiências, depois de se registar na ANDA, tende a desaparecer, o que cria um grande embaraço na hora de se prestar a assistência social de rotina. Outros, frisou, devido à sua localização e dificuldades na locomoção, dado o grau de deficiência que apresentam, não conseguem comparecer na associação e acabam por sair do controlo da sua agremiação que também não dispõe de muitos meios para fazer visitas de proximidade com regularidade.

Por estes motivos, de um total de 53 mil e 914 pessoas com várias deficiências registadas na ANDA, apenas 24mil têm recebido apoios directos com realce para equipamentos de apoio à agricultura, formação profissional, kits de trabalho, alimentação, próteses, canadianas e outros tipos de ferramenta que visam reintegrar as pessoas com deficiências na sociedade. O presidente da ANDA assegurou que as ajudas que a sua associação tem recebido chegam para distribuir a todos os seus associados, mas é preciso que estes se predisponham a receber de forma presencial. “Não podemos constantemente ir atrás das pessoas para elas virem à busca de meios para o seu próprio benefício. Temos dito que ninguém deve estar disperso. Todos os deficientes devem saber que existimos para os apoiar”, notou.

Reincidentes

Com os poucos meios que dispõe, a associação já tentou, várias vezes, recuperar os deficientes das ruas, mas estes, depois de algum tempo, voltam à calçada por acharem que é mais fácil conseguir esmola do que esperar pelas acções da ANDA. Para o líder associativo, a constante presença de deficientes nas ruas a mendigar espelha uma imagem negativa do país, porque dá a entender que não há programas de assistência dessas pessoas, quando não é verdade. Apesar das dificuldades que o país atravessa, os programas de apoio e reintegração das pessoas com deficiência continuam a merecer a atenção das autoridades por via da ANDA, ministérios da Acção Social, Trabalho e Segurança Social, Defesa e outros órgãos. “Infelizmente, o vício do lucro fácil, a teimosia e o não saber esperar é que leva muitas pessoas às ruas. Muitos, ao invés de comprarem comida com o dinheiro que ganham, compram drogas e bebidas. O que é mau”, lamentou.

Discriminação preocupa

Silva Etiambulo manifestouse ainda preocupado com o comportamento de algumas empresas que continuam a negar o direito ao trabalho às pessoas com deficiência, o que demonstra um claro acto de discriminação que, no seu entender, deve ser combatido. Segundo o responsável, todos os anos a sua agremiação regista com agrado casos de superação de dezenas de pessoas com deficiências diversas que lutam para se formar quer a nível básico, médio, superior ou técnico. Mas estas mesmas pessoas, depois de formadas, encontram várias dificuldades no acesso ao emprego, situação que tem representado factor de frustração para muitos dos seus associados.