Ponto de reencontros

Quando aterrou no Huambo, ontem, por volta das sete horas da da manhã, o nosso Guilherme Galiano queixava-se dos trezes graus centígrados anunciados pelo piloto. Mas estava rodeado de gente conhecida, colegas, sobretudo. Ía para a inauguração do Xyami no Huambo. Uma grande novidade para a cidade, por causa da qualidade de que por lá se ouve quando alguém fala de outros Kero e também pelo regresso do cinema à cidade, quase quarenta anos depois. De facto, no mundo moderno é quase inimaginável que a segunda cidade mais importante de um país não tenha cinema. Eu gostaria de ficar por um mês no Huambo só para perceber as reacções das pessoas a magia da sétima arte, gostaria de ver a satisfação nos rostos que matam a saudade e naqueles que descobrem um mundo novo. Voltemos ao Guilherme Galiano, aquela torre da TV Zimbo. Quando aterrou no Huambo não imaginava como lhe terminaria a jornada, não imaginava que iria ser seguido por uma menina tímida, agora já mulher, casada, que tem o nome de Valódia. Um fruto claro da nossa novembrina Independência. No fim da jornada, trabalho dela feito. Trabalho dos jornalistas feito, ela aproximou-se e apresentou-se. Conhecia- o desde os dezasseis anos, de Lisboa. Galiano é amigo dos irmãos mais velhos. “Valódia Bernardo”. E estendeu a mão. Ele não chegou lá. Agora ela é Valódia Sábado. E narrou a admiração pelo jornalista que vem desde há muito… e eu a pensar que o Galiano é grande no tamanho e também na carreira que vem de longe, de outras paragens, porque as memórias dela vêm de Lisboa, ainda miúda. Lembrei-me que de manhã a governadora Joana Lina tinha dito que o Xyami passaria a ser também um ponto de encontros, eu testemunhei um. E enquanto eles desfi lavam memorias, olhei para o termômetro no telefone, estavam treze graus centígrados no Huambo. O Dia terminava como começará. Saí como quem nada quer, resmunguices do Galiano não seriam bem vindas à noite.